segunda-feira, 4 de maio de 2009





"Nesta vida temos três professores importantes:
o 'Momento Feliz', o 'Momento Triste' e o 'Momento Difícil'.
O 'Momento Feliz' mostra o que não precisamos mudar.
O 'Momento Triste' mostra o que precisamos mudar.
O 'Momento Difícil' mostra que somos capazes de superar."
Mário Quintana


Importante mesmo é a vontade e a capacidade que temos de superar os momentos difíceis. Um pedaço de mar, o carinho dos que nos amam, e uma grande determinação em ser feliz, podem ser os ingredientes certos para não desistirmos de lutar...


sábado, 2 de maio de 2009


Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia sozinho ao relento
E ali longe do tempo acabei por dormir

Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar

Sou a estrela do mar
Só ele obedeço, só ele me conhece
Só ele sabe quem sou no principio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim

Não se era maior o desejo ou o espanto
Mas sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar

Em silêncio trocámos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são poucos ou nada para a estrela do mar

Fiquem bem, eu volto já ... eu e a minha estrela do mar !!!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Porque hoje é dia 30 de Abril de 2009 ...


Estamos todos esperançosos na vitória hoje à noite da tua "Dita Dura". Claro que todos gostariamos que ganhasses, mas o que é realmente importante é sabermos que irás continuar, enquanto houver estrada para andar. Tu tens a força necessária para sonhar e perceber que a estrada vai muito mais além do que se vê. Nós estaremos sempre aqui torcendo por ti, e tentando acompanhar o teu percurso nessa tua estrada.


Deixo-te esta prendita porque sei que, também tu, só assim sabes cantar :

"Cantar" Pedro Barroso


Estou aqui meus senhores para vos dizer
CANTAR não pode ter regulamento
só canta de encomenda quem quiser
quem faz uma canção tem que a assumir
e não apenas querer passar o tempo

CANTAR, CANTAR, CANTAR é acreditar

CANTAR não é redoma lucro ou montra
é ter uma intenção e ter coragem
não é a lantejoula luzida o que mais conta
Mas ter por arma uma viola na bagagem
e ter um povo inteiro na viagem

CANTAR, CANTAR, CANTAR é acreditar

CANTAR é alma, é dedos, corpo, dor e riso
CANTAR é acto de combate colectivo
pela acusação, pelo despertar e pelo aviso
CANTAR é uma maneira de ser povo
CANTAR é uma maneira de estar vivo

CANTAR, CANTAR
CANTAR, CANTAR é acreditar

...

Desejo-te para logo ... muita merda e muitas pernas partidas ...

...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Ainda Marina Colasanti


Às seis da tarde

Marina Colasanti

Ás seis da tarde
as mulheres choravam
no banheiro.
Não choravam por isso
ou por aquilo
choravam porque o pranto subia
garganta acima
mesmo se os filhos cresciam
com boa saúde
se havia comida no fogo
e se o marido lhes dava
do bom
e do melhor
choravam porque no céu
além do basculante
o dia se punha
porque uma ânsia
uma dor
uma gastura
era só o que sobrava
dos seus sonhos.
Agora
às seis da tarde
as mulheres regressam do trabalho
o dia se põe
os filhos crescem
o fogo espera
e elas não podem
não querem
chorar na condução

terça-feira, 28 de abril de 2009


Eu sei, mas não devia.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender mais cedo a luz.
E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti

segunda-feira, 27 de abril de 2009

"Dinner" óleo de Henry Matisse

Na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. Depois, a minha irmã mais velha
casou-se. Depois, a minha irmã mais nova
casou-se. Depois, o meu pai morreu. Hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. Cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. Mas irão estar sempre aqui.
Na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
Enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.

José Luís Peixoto

domingo, 26 de abril de 2009


Balanços Provisórios

Estamos mais gordos mais magros
talvez mais denso
ou mais pesado o nosso olhar
temos pressa de ternura
angústias de vez em quando
e umas contas de telefone atrasadas
para pagar.

Temos falta de cabelo
três ou quatro cicatrizes
sofremos de inquietação.
Muitas vezes nos disseram
como é rápido o deslize
mesmo assim nunca deixámos
de dar corda ao coração.

Daqueles que já partiram
guardamos silêncio e nome
e uma improvável mistura
de amargura e rebeldia
nas palavras desordeiras
que dizem redizem cantam
relembrando dia a dia
como é feita de azinheiras
a capital da alegria.

Muitas ondas já morreram
outras tantas vão nascer
muitos rios já se cansaram de correr até á foz
águas claras que se foram
outras águas se turvaram
e agora restamos nós.

Somos muitos somos poucos
calmamente radicais
sabemos vozes antigas
trazemos a lua ao peito
amamos sempre demais.

Neste caminho tomado
fomos traídos trocados
vendidos ao deus dará.
Nem por isso desistimos
e assim nos vamos achando
perdidos de andar às voltas
nas voltas que a vida dá.

Somos uns bichos teimosos
peixes loucos aves rindo
plantas poetas palhaços
e portanto resumindo
somos mais do que nos querem
estamos vivos
somos lindos!

José Fanha

sábado, 25 de abril de 2009

sexta-feira, 24 de abril de 2009


25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

Faz amanhã 35 anos que emergimos da noite e do silêncio. Sinto-me privilegiada por o ter vivido. Época de esperança imensa num Portugal melhor. Será ainda possível cumprir os sonhos de Abril ? 35 anos depois, volta a insegurança. 35 anos depois voltam os medos ...

Que é feito do sol de Abril
que nos circulou pelas veias?
Que é feito das ruas cheias
quando o céu era um balão
e andava tudo ao contrário
as estátuas vinham ao chão
e o sonho era o nosso horário?
Que é feito do mês do sonho
quando o sonho era concreto
e tinha forma de casas
e portas abertas e pão
quando o sonho que sonhámos
era um filho colectivo
parido pela multidão
Que é feito do mês de Abril?


José Fanha