terça-feira, 25 de novembro de 2008

Os filhos são como os livros, são viagens ao interior de nós próprios

"Minha mãe era uma pessoa silenciosa, capaz de dissimular-se entre os móveis, de perder-se no desenho do tapete, de não fazer o menor ruído, como se não existisse; contudo, na intimidade do quarto que dividíamos, ela se transformava. Começava a falar do passado ou a narrar as suas histórias, e então o aposento se enchia de luz, desapareciam as paredes, dando lugar a incríveis paisagens, palácios abarrotados de objectos nunca vistos, países longínquos inventados por ela ou tirados da biblioteca do patrão; colocava a meus pés todos os tesouros do Oriente, a lua e mais ainda. Reduzia-me ao tamanho de uma formiga, para eu sentir o universo a partir da minha pequenez, punha-me asas para vê-lo a partir do firmamento, dava-me uma cauda de peixe para conhecer o fundo do mar"
Isabel Allende em Eva Luna

Há mães assim, há mães diferentes. Comum a todas o dar asas para sentir o universo, ou caudas de peixe para conhecer o fundo do mar. Comum a todas a entrega total.


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Para alguém que neste momento sente que o seu mundo por que tanto lutou e onde investiu tanto de si própria se desmoronou. Para alguém que terá de encontrar um novo caminho, e que até o encontrar se irá inevitavelmente sentir um pouco perdida, um pouco vazia. Aceita esta etapa como um desafio, como uma prova, lutadora como és num ápice encontrarás outro mundo, de certeza ainda mais aliciante e mais bonito que este.

Novo método de defesa

Não há dúvida que a idade continua a ser sinónimo de sabedoria. E quando quem nos devia proteger não nos protege, o melhor mesmo é tentarmos desenrascar-nos sozinhos.
Bora lá aprender qualquer coisita com esta Cota ?

domingo, 23 de novembro de 2008

Agradecimento !


Foi um amigo, que me trouxe até aqui. Comecei por escrever uns textos farruscos que ele publicava no blog dele, depois por brincadeira comecei a comentar em vários blogs, e dai nasceu o meu, com o nome que usava nos comentários "A Concorrência". A partir daí comecei a conhecer-vos a todos, e a gostar de cada um. Aproximou-me de vocês o vosso conceito de AMIZADE, de dádiva para com os outros. Os nossos encontros em cada fim-de-semana passaram a ser quase como uma terapia. Cantar, rir, brincar, receber e dar carinho, são o melhor antídoto para qualquer problema. Por escolhas particulares houve quem se afastasse, houve quem continuasse, mas sem aquele brilho que é uma das nossas características quando estamos juntos. Depois vieram mais amigos exactamente com as mesma maneira de sentir a amizade, a solidariedade, a entrega ao próximo. Uma há que embora tenha a separar-nos dela o imenso Atlântico, consegue o milagre de estar sempre tão presente como todos os outros. A amizade sente-se, não se diz, e talvez por isso me seja tão gratificante estar com todos vocês. Como hoje decidi que queria agradecer-vos a todos pelo carinho que me têm dado, e por serem os seres humanos espectaculares que são, deixo aqui os vossos nomes por ordem alfabética, para não ferir susceptibilidades: Fátima, Letícia, Lua, Maria, Patrícia, Rogério, Zá, Zé, obrigada por terem trazido mais cor à minha vida. Bem hajam !

P.S. E que muitos outros se juntem a nós, porque a amizade quando é desinteressada e verdadeira é uma das melhores coisas que temos na vida.

sábado, 22 de novembro de 2008

Marc Anthony - Mi gente



Dá ou não vontade de dançar ?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A tua pequena dor - Rui Veloso

Para todas aqueles que assumem que sofrem, para os que gostam de inventar que sofrem, para os que usam a vingança para tentar adormecer o sofrimento, e finalmente para aqueles que para mim são heróis, os que sofrem em silêncio.



A tua pequena dor
quase nem sequer te dói
é só um ligeiro ardor
que não mata mas que mói

é uma dor pequenina
quase como se não fosse
e como uma tangerina
tem um sumo agridoce

de onde vem essa dor
se a causa não se vê
se não é por desamor
então é uma dor de quê?

não exponhas essa dor
é preciosa é só tua
não a mostres tem pudor
é o lado oculto da lua

não é vicio nem costume
deve ser inquietação
não há nada que a arrume
dentro do teu coração

talvez seja a dor de ser
só a sente quem a tem
ou será a dor de ter
a dor de ir mais além

certo é ser a dor de quem
não se dá por satisfeito
não a mates guarda bem
guardada no fundo do peito!
Ainda falando sobre os nossos jovens de hoje, quero partilhar com vocês o meu contentamento. Finalmente estou realmente e verdadeiramente orgulhosa de ser portuguesa. Vocês sabem que os nossos jovens ocupam o primeiro lugar da UE em interesse em acompanhar noticias sobre ciências e novas tecnologias ?

É uma triste realidade os pais terem hoje em dia menos tempo e menos apetência para acompanhar os filhos, para conversarem, para brincarem, para lhes lerem um livro ou para lhes contar uma história. Têm tantas outras coisas para fazer que é muito mais cómodo deixá-los sózinhos a ver televisão, a brincar com a playstation, com o gameboy, ou com o computador, sem qualquer acompanhamento por parte dos únicos com capacidade para os ensinar. É urgente a afectividade em troca do materialismo, é urgente o sentido de família em oposição ao isolamento.

Não é portanto de admirar que os nossos jovens que passam os seus dias sozinhos com máquinas, se interessem tanto por tecnologia. Como já disse atrás é de louvar este interesse dos nossos jovens, lamento é que esse mesmo interesse não seja extensível à aprendizagem da matemática, do português, do inglês, ou das ciências as disciplinas onde todos têm problemas e as únicas que lhes permitiriam compreender verdadeiramente esta constante evolução tecnológica.

Seja como for, continuo a dizer, vivam os nossos jovens pois é deles o futuro do nosso país.

O TEMPO DO MUNDO ÀS AVESSAS

Duas vizinhas encontram-se à porta de uma Escola, e travam este diálogo:

- Então o que é que a traz por cá? Eu vou agora ali à direcção da escola queixar-me. Veja lá que a minha filha me disse que lá na escola não há máquinas de distribuição de preservativos na casa de banho das raparigas. Só na dos rapazes. Não é uma vergonha?


- Um escândalo. Depois se há problemas a culpa é dos pequenos! Eu também tenho de lá ir mas, infelizmente, é derivado ao comportamento do meu Ronaldinho.

- Não me diga que ainda é por causa da gravidez?

- Não, que ideia. Isso está tudo resolvido. Eles os dois trataram a questão com muito bom senso. Nem pareciam ter 13 anos! O aborto correu muito bem e o meu rapaz até já arranjou outra namorada bastante mais velha. Não, o que me preocupa é aquele grupo com que ele anda.

- Qual? A banda de rock satânico? Oh, minha amiga não se apoquente com isso. Nós lá em casa até dissemos ao nosso rapaz para criar uma. Antes isso que andar pelos ATL da paróquia com aqueles beatos a meter patranhas na cabeças dos miúdos. Na banda é muito mais seguro e saudável.

- Não, não é isso. A banda até é um excelente meio de educação. Ao princípio ainda me chocavam um bocado as letras das canções, a falar de suicídio e sangue, mas agora até acho graça. Não, é muito pior. Ele também anda metido em coisas mesmo graves com aquele outro grupo clandestino. Já ouviu falar, não? Aquele grupo de fumadores que no outro dia até apareceu no jornal por um deles fumar dentro do metro.

- Que horror! O seu filho fuma? Mas isso faz imenso mal à saúde e polui o ambiente. Então ele não pensa no aquecimento global? Esta juventude está perdida!

- Eu sei, eu sei! Tentámos tudo para o afastar do vício, mas nada. O meu marido até quis ver se o interessava em blogs pornográficos, chats neonazis e outras coisas que fossem também um bocadinho subversivas e clandestinas mas não fizessem tanto mal. A culpa é do meu homem e eu já lhe disse. Imagine que quando o miúdo era pequeno lhe dava pistolas e outros brinquedos de violência. Claro que tinha de ter esta consequência, não era?

- Que horror! E nos estudos, que tal anda ele? Os meus antigamente eram um castigo. Davam muitos erros de ortografia mas isso agora, com este novo programa para o insucesso escolar, deixou de criar problemas porque já não conta. E, mesmo na Matemática, o que interessa é a criatividade dos miúdos. Se os professores explicam mal que culpa têm os pequenos?

- Eu digo o mesmo. Se eles depois acabam todos no desemprego, ao menos gozem a juventude.

Texto de João César das Neves (Professor Universitário)


quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A vida


” A vida não é uma fotografia, em que preparamos as coisas para que fiquem bem e em seguida fixamos uma imagem para a posterioridade; é um processo sujo, desordenado, rápido, cheio de imprevistos. A única coisa certa é que tudo muda.”
Isabel Allende


Se a vida fosse exactamente aquilo que planeamos, seria no mínimo um tédio. É no seu desordenamento sempre imprevisto, algumas vezes lento, outras rápido, e outras ainda rápido de mais, é no nosso esforço para tentar impor-lhe a nossa ordem que está a magia ... Todos nós sabemos que o que nos é oferecido sem esforço não tem o valor daquilo porque somos obrigados a lutar. As partes menos transparentes são as que devemos evitar, são as que nos obrigam a agir de modo a que não tenham qualquer significado no seu contexto geral. Eu diria portanto que a nossa vida não é realmente uma fotografia, porque ela é na verdade muitas fotografias, com instantes para que lutámos com todas as nossas forças para que fossem perfeitos, isto claro dentro do nosso conceito de perfeição.
Realmente a única coisa que temos como certa nela é que tudo muda (e ainda bem porque não existe coisa pior que a rotina) e é por essa inevitável e constante mutação que temos a obrigação de fazer em nós próprios as alterações necessárias, para que transformemos todas as suas etapas em fotografias tão perfeitas que as suas imagens possam ficar para a posteridade.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A minha verdade sobre a verdade


Harold Pinter, prémio Nobel da Literatura em 2005, disse
:
No teatro, a verdade esquiva-se sempre. Nunca a encontramos por completo, mas é forçoso procurá-la. Essa busca é claramente aquilo que guia os nossos esforços. É essa a nossa tarefa. Na maioria das vezes é no escuro que tropeçamos na verdade, esbarramos nela, ou vislumbramos uma imagem ou uma forma que parece corresponder à verdade, muitas vezes sem nos darmos conta disso. Mas a verdade verdadeira é que, na arte do teatro, não há nunca uma verdade única que possamos encontrar. Há muitas. Estas verdades desafiam-se mutuamente, fogem, reflectem-se, ignoram-se, espicaçam-se, são insensíveis umas às outras. Ás vezes pensamos que temos a verdade de um momento na mão, e depois ela escapa-se-nos por entre os dedos e desaparece.

Eu digo, porque esta é para mim a verdade neste momento, e recuso-me a ignorá-la:
No teatro como na vida, a verdade é constantemente mutável para cada um de nós, a verdade não é universal, varia com as formas de pensar, com a maneira de sentir de cada individuo, mas apesar dessa sua inconstância, temos por obrigação encontrar a nossa verdade em cada momento, procurá-la, por muito árdua que seja essa tarefa, e mesmo que ela não nos seja favorável, temos por obrigação assumi-la, por muito doloroso que isso nos seja, porque só sendo totalmente verdadeiros, com nós próprios e com os outros, poderemos viver de bem com a vida.