sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Hoje acordei com uma música na "pinha", "Baile No Meu Coração (Baião de Dois)"de Moraes Moreira e os Trovante. Cantei-a no caminho para o trabalho (várias vezes, pobre JC), e continuo a cantá-la com som (utilizando a boca e as cordas vocais), e sem som (mexendo apenas os cordelinhos que ainda funcionam na minha massa encefálica).

Gostaria de vos trazer aqui a versão de "Sotaques" que tive o privilégio de ouvir na passada quarta feira, mas por muito estranho que pareça, nem essa nem nenhuma outra versão consegui encontrar na nossa amiga Net.

Em substituição (e com muita pena minha) deixo-vos com Luís Represas e o nosso amigo Gaudêncio - "Da próxima vez"



BOM FIM DE SEMANA !!!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Portugueses vivem em média 44,6 anos de felicidade


Esqueça o produto interno bruto, o indicador que povoa os sonhos e os pesadelos dos economistas - e os nossos, por tabela. Há quem prefira medir o grau de felicidade dos povos. E é bem capaz de ter razão.

Ruut Veenhoven estudou Sociologia, é psicólogo social, sexólogo social e professor emérito das "condições sociais para a felicidade humana" na Universidade de Erasmus, em Roterdão, na Holanda. É ainda director da Base de Dados Mundial da Felicidade e do "Journal of Happiness Studies". Cada um estuda o que bem lhe apetece e há malucos para tudo. Não deixa de ser verdade. Há anos, alguém me explicava, com grande empenho, o trabalho de um investigador que durante anos estudou a vida sexual dos caracóis algures no Alentejo. E não era anedota.

Mas pensando bem, se é verdade que a vida sexual dos caracóis, até prova em contrário, não acrescenta grande coisa à felicidade dos homens (com excepção daqueles que a estudam), o mesmo não se pode dizer do trabalho de quem investiga aquilo que nos faz mais felizes - ou menos. E o PIB, tomando por base os estudos de Veenhoven e da sua equipa, não tem necessariamente uma relação causa/efeito com a nossa felicidade. Basta olhar para o Top 5 das populações que se dizem mais felizes do mundo nestes primeiros anos do século 21: as da Islândia, da Dinamarca, da Colômbia, da Suíça e do México.

Alguém adivinharia que a terceira população mais feliz do mundo vive no país que é o maior produtor de coca do planeta (cerca de 535 toneladas por ano)? Os cínicos dirão que será da "pedra". Mas a Colômbia é também o país com a maior taxa de homicídios per capita, a esmagadora maioria relacionados com o crime organizado. E o PIB per capita não é com certeza razão para tanta felicidade. A média por cada colombiano rondou, no ano passado, os 8900 dólares, contra os 21 800 dólares de cada português (só para não comparar com os felizes suíços ou dinamarqueses).

E os portugueses serão felizes? Na base de dados de Veenhoven não são infelizes, mas também não se pode dizer que se considerem felizes. Numa escala de 0 a 10, nós por cá ficamo-nos pelos 5,7, ocupando o meio da tabela entre os 144 países analisados. Mas temos vindo por aí abaixo no gráfico de satisfação.

Ou seja, o PIB, definitivamente, não serve para medir a felicidade dos povos e, dirão os mais radicais, não serve sequer como indicador-chave para conduzir os povos à felicidade.

Talvez devêssemos seguir a experiência do Butão, que em vez do PIB, mede a FIB, a felicidade interna bruta. E não tem dado maus resultados. Em 2006, num estudo realizado pela universidade inglesa de Leicester, a pequena monarquia onde a televisão e o primeiro semáforo só chegaram há dez anos, era a oitava nação mais feliz do mundo.

Veja aqui a geografia da felicidade, num mapa da Universidade Erasmus de Roterdão.

Foto e texto retirados de IONLINE


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sotaques - Cheiro Eterno de Alecrim

Uma sugestão para hoje à noite:


Casa da América Latina
Café Concerto
dia 28 de Outubro de 2009 - 22 horas
Casa da América Latina
na Av. 24 de Julho, 118-B
Lisboa

Sotaques
Silvia Nazário - Voz Rogério Charraz - Voz e Guitarra
Cláudio Kumar - Guitarra e Direcção Musical Gustavo Roriz - Baixo e Contrabaixo Babi Bergamini - Bateria


Um projecto descrito assim por quem o concebeu:

Numa visão mais ampla, a arte e a história das culturas revela uma continuidade, que tal como o bumerangue, vai e vem, na cumplicidade entre conquistador e conquistado. Percebe-se no olhar dos navegantes a curiosidade e o ímpeto
pela conquista de novas terras, e no fundo dos seus corações, o subtil desejo de unir o mundo. “O sal das minhas lágrimas de amor criou o mar, que existe entre nós dois para nos unir e separar” (Vínicius de Moraes) O projecto tem a intenção de realçar a harmonia entre duas culturas, a portuguesa e a brasileira, que naturalmente são tão próximas: pela língua, pela história, pela música… Cada uma com sua cor, única e inconfundível, revelam novos e especiais tons quando misturadas, abrindo espaço para uma aguarela infindável de criatividade. No repertório os compositores, Jorge Palma, Fausto, Rui Veloso, Paulo de Carvalho, Paulo Gonzo, Madredeus, Sérgio Godinho, Zeca Afonso, Tom Jobim, Ernesto Nazareth, Chico Buarque, Catulo da Paixão, Ginga, Vital Farias, Rogério Charraz, Sílvia Nazário, entre outros.

Por me parecer um projecto muito interessante, e por ser a primeira vez que teremos oportunidade de o conhecer ao vivo, não percam ... se puderem.

Ofereço-vos um cheirinho (eterno de alecrim):


Cheiro Eterno de Alecrim

Sotaques | Vídeo do MySpace

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Principios ...


Principios

Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.

Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só é preciso é saber
que temos de viver.

Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.

Nuno Júdice


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O MEDO

Fui ouvir a sugestão que me deixaram nos comentários e achei que valia a pena trazê-la aqui:

Poema pouco original do medo
Alexandre O'Neill

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Hoje deixo-vos na melhor das companhias com Fausto, Sérgio e Zé Mário

Hoje deixo-vos com os três ENORMES nomes da música portuguesa que ontem nos proporcionaram um espectáculo que ficará para sempre gravado na memória de quem teve o privilégio de a ele assistir.







BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS !!!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Uma história da minha infância


Já aqui falei de uma tia com quem sempre vivi. Uma tia separada e sem filhos que sempre me acarinhou e amou como se filha dela fosse. Olhando para trás no tempo, vários são os tios e tias que recordo com ternura. Talvez por tanto os amar fosse assim tão acarinhada por eles. Talvez porque fosse uma criança que não dava grande trabalho, nem grandes preocupações "nem sequer choras para chateares a tua avó" dizia o Tio Narciso. Recordo todos os que já foram com uma grande saudade, tão grande que muitas vezes doí de mais. Deram-me todos tanto. Os poucos que ainda continuam por cá, continuo a amá-los como os amava em criança, apesar do doloroso afastamento que as nossas complicadas vidas obrigam a que haja entre nós.

Voltando à tia com que sempre vivi, numa longínqua manhã, já quase perdida no tempo, mas que nunca consegui esquecer, ela com a melhor das intenções quis "ajudar-me". Tinha eu possivelmente uns 6 anos e um dente a abanar, dente esse que que eu teimava que haveria de cair sozinho. A tia Gicélia (a quem ultimamente alguém rebaptizou de Glicémia), no entanto, não partilhava da minha opinião. Resolveu que teria de ser ela a arrancar-me o dente da discórdia. Para solucionar o grande problema, nada melhor que correr atrás de mim por toda a casa até me apanhar, para logo em seguida me fechar no quarto. Imobilizou-me já não me lembro muito bem como, mas possivelmente com as pernas, e com uma linha numa mão tentava com a outra abrir-me a boca para me arrancar o tão importante dente. Eu gritava e esperneava, e quando finalmente depois de muito sofrimento, consegui que ela me ouvisse disse-lhe entre soluços: Tia deixa-me arrancar o dente sozinha, por favor, eu juro que o arranco, mas deixa-me ser eu a arrancá-lo sozinha. A minha tia soltou-me, e eu segui direitinha para a casa de banho, fechei a porta, e aí em frente ao espelho e sem nenhum sofrimento, arranquei o dente.

Cada um tem o seu próprio método de arrancar dentes. Sei como a minha tia gosta de mim e como me queria ajudar. E ela sabe como eu gosto dela.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Eu sabia !!!



Talvez


Foto de José Colaço, retirada deste blog de uma amiga

Talvez

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

Pablo Neruda


P.S. Quando procurava uma imagem que ilustrasse aquilo que hoje pretendia transmitir, encontrei esta foto que diz tudo o que hoje queria dizer (dois todos distintos, que se entrelaçam, quase se misturam, formando um todo perfeito). Letícia e Zé espero que me desculpem o atrevimento.