sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Né Ladeiras/Chico César

"O Atlântico é um berço de almas irmãs unidas pelas águas maternas" Ladeiras

"As águas que lavam o Cabo da Roca e o Cabo Branco são uma só, e tal como as canções elas se misturam, voluteiam " Chico César

Quem não se lembra dela e do seu "Sonho azul" ? e quem não o conhece a ele e à sua "Mama África" ;) ?



As asas

um homem em pé
um anjo caído
um corpo que cai em desgraça
uma alma que rola no chão
pode um anjo ou um homem
renunciar a essa condição?
não
o marmanjo é um anjo
com um arranjo de flores
pra uma mulher
feito com as asas cortadas
que Deus lhe deu
esse anjo tosco
é você
sou eu
vitral trespassado lodo iluminado
é você
sou eu
voar sem asas
lavar-se com as brasas
que o amor acendeu

Chico César

Deixo-vos, quanto a mim, em boa companhia, e desejo a todos anjo(a)s ou marmanjo(a)s, voos magníficos este FIM DE SEMANA !!!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Refúgio a dois !!!


A vossa/minha prenda de aniversário vai finalmente ser "vivida/usada".

Será já este mês, num dos próximos fins de semana .

Depois de muita indecisão na escolha, chegámos à conclusão de que a região de Portugal (Continental) que menos conhecemos é a do Douro. Optámos assim pela Estalagem do Penedono, situada entre a Guarda e Vila Real (Douro Sul).

Deixo-vos este video para que possam imaginar o local, e
prometo reportagem pormenorizada quando voltar, agradecendo mais uma vez o vosso carinho.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Os livros !!!


Diz-se que as conversas são como as cerejas, creio que as lembranças e os pensamentos também. A velocidade com que somos obrigados a viver a vida obriga-nos muitas vezes a adormecer as recordações. Basta no entanto por vezes uma palavra, um gesto, para as acordarmos dentro de nós. Foi o que me aconteceu hoje com um post de uma amiga.

"A invenção do amor" de Daniel Filipe. Até a capa é igual. " inventaram o amor com carácter de urgência deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia" ..."É preciso encontrá-los antes que seja tarde, antes que o exemplo frutifique, antes que a invenção do amor se processe em cadeia"... "Está em jogo o destino da civilização que construímos, o destino das máquinas das bombas de hidrogénio das normas de discriminação racial,o futuro da estrutura industrial de que nos orgulhamos, a verdade incontroversa das declarações políticas." ..."Importa descobri-los onde quer que se escondam antes que seja demasiado tarde e o amor como um rio inunde as alamedas praças becos calçadas quebrando nas esquinas". Num tempo em que nos negavam todos os direitos, até o direito ao amor nos era proibido. Um dos poemas que mais me marcou e que mais me influenciou no meu modo de estar na vida.

Lembro-me da alegria que tinha ainda criança, e mais tarde já adolescente, quando me ofereciam um livro, lembro-me das prendas que pedia no Natal e nos anos : livros !!!. Lembro-me da sofreguidão com que os devorava, sem intervalos. As refeições eram deglutidas com os livros à minha frente sem conseguir parar de os ler (ainda hoje tenho dificuldade em fazer intervalos quando os leio). Lembro-me de todas as noites ler livros aos meus filhos antes de adormecerem, primeiro histórias e contos, mais tarde livros mais sérios, e sei que eles se lembram ainda, de muitos desses livros que lhes li.

Hoje os livros foram substituídos pela televisão ou pelas consolas de jogos onde impera a violência. A maior parte das crianças dos nossos dias não é ensinada a gostar de ler. Tenho pena, muita pena, e a secreta esperança (como optimista que sou) que mais tarde ou mais cedo se inverta esta situação, e que o livro volte a ter para todos a importância que lhe é devida.

P.S. Mais uma vez peço desculpa pelo atrevimento, mas quando as recordações têm o peso que esta tem é dificil silenciar os pensamentos.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Somos nós que construimos a nossa estrada da vida sem sabermos se agora, se exactamente este milésimo de segundo não será o último. Cabe a cada um de nós escolher o seu percurso segundo os princípios em que acreditamos.

A minha estrada de vida foi construída tendo como prioridades o amor e não o ódio, a paz e não a guerra, a dádiva pelo puro prazer de ver a felicidade em todos os que me rodeiam, e não pelo que posso lucrar com ela, a verdade e nunca a mentira, a união e o colectivo, e o respeito, algumas vezes misturado com admiração, por todos, seja qual for o percurso que escolherem para si próprios.

Alguém que admiro ofereceu-me há tempos uma dedicatória que gravei no coração e que diz mais ou menos isto : já podes descansar, já contribuíste para transformar este nosso Mundo num Mundo melhor. São as palavras dos que admiro as que são importantes para mim.

Por isso sigo tranquilamente por esta estrada, orgulhosa do caminho que tracei, sem me preocupar em olhar para trás.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Beleza e simplicidade ...

"A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla."
David Hume

"A beleza ideal está na simplicidade calma e serena. "
Johann Goethe

A beleza é, no meu entender, uma omnipresença da morte e do encanto, uma risonha melancolia que discernimos em todas as coisas da Natureza e da existência, essa comunhão mística que sente o poeta... algo assim como um raio de sol dourado e poeira que esvoaça, ou como uma rosa caída na sarjeta"
Charles Chaplin





Fotos de JC, Praia de Formentor, Mallorca (uma praia paradisiaca onde estranhamente coabitam areia, pinheiros e o mar, de água quente e transparente com uma magnifica tonalidade de um azul quase verde).

sábado, 5 de setembro de 2009

Ontem ...

Mais uma noite daquelas : inesquecível !!!
Como em todas as outras nossas noites as palavras de ordem foram: AMIZADE, ALEGRIA, e CUMPLICIDADE .
Rogério Charraz e os extraordinários músicos que o acompanharam superaram todas as nossas expectativas. A multidão que pouco a pouco se juntou frente ao Palco Arraial cantou, dançou, vibrou e pediu "encores".


Como sempre sentimos a falta de todos aqueles que pelos mais variados motivos não puderam estar connosco.

A todos os amigos que nos fizeram companhia em mais uma noite BONITA o meu obrigada ... até já miudo(a)s.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Bom fim de semana !!!

Quem lá esteve o ano passado diz que foi assim:


Confesso que vai ser a minha "segunda vez" lá. A "Festa" tem no entanto este ano, para todos nós, um sabor muito especial: temos amigos em palco. Lá estarei como sempre a torcer/vibrar pelo/com o êxito da actuação daqueles a quem faço questão de demonstrar o meu apoio e o meu carinho.

Desejo aos que vão, e aos que preferem outras paragens, um fim de semana em GRANDE !!!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Pá olha estou contente ...

E "sabes porquê ?"

Porque contrariamente ao que previa, ontem o primeiro dia do resto da minha vida começou e acabou da maneira mais perfeita que poderia decorrer (tomando como base, claro, a minha filosofia de vida) : em paz e amor (será que as pessoas estão a mudar ? deve ser da crise ...) .

Embora hoje as coisas por aqui se apresentem ligeiramente acinzentadas, vou tentar manter-me assim : feliz !!!


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Recomeçar ...


"Born" Amar Amarni (2007)

Conta-se que um respeitável fazendeiro de 80 anos, verdadeiro sustentáculo de tradições seculares, tinha uma única e adorável neta de 8 anos. Homem rígido e acostumado a posições irrevogáveis dobrava-se no entanto a "quase todos" os pedidos da menina. Um belo dia, a criança, que conhecia o horror do avô em comer guisado de quiabos (embora soubesse também que ele jamais experimentara o sabor do mesmo) pede-lhe para que experimente "pelo menos uma colherzinha", daquele guisado que ela adorava. Ao que o octogenário e respeitoso senhor lhe responde "Sabes querida? Se atender ao teu pedido, corro dois riscos: o primeiro é não conseguir mesmo comer por não gostar do sabor, o segundo é que, caso goste do sabor, vou ter que assumir oitenta anos de erro!"

Claro que o maior risco era o segundo. A dificuldade de recomeçar um novo caminho, reconhecendo que havia um engano na posição anterior.

Todos nós temos o direito (senão o dever), de crescer todos os dias, no entanto teremos de ser nós a decidir por este renascer diário.

Até a própria felicidade é fruto de nossa decisão de sermos felizes.

Mudar não significa desconhecer os valores do passado. Significa evoluí-los. Não se trata de reinventar a roda mas sim de "flutuar" acima dos trilhos. E em breve nem precisaremos mais de rodas, só das grandes evoluções que fizemos a partir delas. Não percamos pois a oportunidade de crescer todos os dias e de buscar o recomeço sem medos, é esta a verdadeira delícia de se viver.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ode ao amor.


"Love tree" - Amar Amarni

São tantas as formas de amar, tantas vestes tem o amor. Aos que fazem do amor pelo próximo o seu lema de vida, a todos os que tanto mais felizes são, quanto mais se dão, aos que fazem questão de semear carinho, conforto e amizade pelo próximo, ofereço este meu post, com uma secreta esperança , a de que alguma vez seja possível, bastando para tal o empenho de todos nós, a criação desta "cidade nova livre desde as pontas dos dedos" onde um dia "veremos nascer a madrugada debaixo dos braços para o último arrepio de todos os tempos: amarmo-nos." porque ( ouso eu acrescentar ) nada é mais gratificante que o amor.

Para quando a inversão de principios ? Quando o AMOR em todas as suas formas, for, para todos nós, o valor de maior importância, este nosso tétrico Mundo converter-se-á com toda a certeza num Mundo melhor.



Ode da liberdade II

Devíamos criar uma cidade nova

livre desde as pontas dos dedos as estradas
à polpa das palmas das mãos
as muralhas
até ao centro histórico
para nela vivermos séculos sem fim
e mergulharmos nos rios as linhas do destino.


devíamos criar uma cidade livre
nova
desde o vulcão
o nosso repouso em labaredas
para um primeiro beijo fora do território nacional
até à lonjura da maior viagem

dormirmos na pousada
que abriga tectos em estrelas
com os olhos fechados
trocados numa nova cidade até sermos ilha.

quando regressássemos

morávamos
na nossa grande casa da árvore
cravejados de folhas
pássaros e beijos
as mãos um do outro
polpa de maçã
só à espera de ver nascer
a madrugada debaixo dos braços
para o último arrepio
de todos os tempos
amarmo-nos.

Ana Salomé em "Odes
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