sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Hoje venho aqui assumir publicamente: sou uma chata !


"Nunca me preocupo com o futuro... muito em breve, ele virá."
Albert Einstein

Hoje resolvi vir aqui assumir publicamente um dos meus defeitos. Não é uma coisa muito vulgar alguém assumir em praça pública o que gostaria de ser capaz de alterar nela própria, mas como muito secretamente , tenho alguma esperança que ao partilhar com vocês aquilo que eu gostaria que fosse diferente em mim, me seja mais fácil corrigir-me, hoje enchi-me de coragem e aqui estou eu ...

Sou uma chata ! Chata não no sentido de aborrecer o próximo (ei, ei miúdos que risinhos são esses ... ás vezes também, claro ... mas com o mal dos outros posso eu bem, sempre ouvi dizer... e se tiverem alguma queixa a fazer da minha pessoa, por favor sejam frontais ...) mas no sentido de haver momentos em que eu gostaria de não me aborrecer tanto a mim própria . Preocupo-me demais ... com os acontecimentos, com o futuro, com o que não faz sentido, com o que faz, com o que pode ser melhor, com o que pode ser pior, com o que está certo, com o que está errado, com aquilo que foi feito, com aquilo que no meu entender deveria ter sido ... e de tanto me preocupar com esta parafernália de coisas, há dias, horas, minutos, que não consigo suportar-me a mim mesma ...

Portanto está decidido amigo Einstein, a partir de hoje vou tentar seguir esta tua máxima , se a conseguir interiorizar em pleno, tenho esperança, que mais dia menos dia, seja possível considerar-me a mim própria uma gaja muita fixe.

Procure os seus caminhos,
mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado,
comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!"
(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Poema do amigo aprendiz



Poema do amigo aprendiz

Quero ser teu amigo. Nem de mais nem de menos.
Nem de tão longe, nem de tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
Sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas, confesso: é tão difícil de aprender!
E por isso, eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias..."

Fernando Pessoa

Bom fim de semana !

Dedico este poema a todos vocês OS MEUS AMIGOS, mas, e para que nunca se esqueçam de como gosto deles, hoje especialmente à Cátia ao Luís ao Paulo e à Natércia.

E porque não lágrimas ? Elas também são parte integrante de nós.


Choro!

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
as crianças violadas
nos muros da noite
húmidos de carne lívida
onde as rosas se desgrenham
para os cabelos dos charcos.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
diante desta mulher que ri
com um sol de soluços na boca
— no exílio dos Rumos Decepados.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
este sequestro de ir buscar cadáveres
ao peso dos poços
— onde já nem sequer há lodo
para as estrelas descerem
arrependidas de céu.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
a coragem do último sorriso
para o rosto bem-amado
naquela Noite dos Muros a erguerem-se nos olhos
com as mãos ainda à procura do eterno
na carne de despir,
suada de ilusão.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
todas as humilhações das mulheres de joelhos nos tapetes da súplica
todos os vagabundos caídos ao luar onde o sol para atirar camélias
todas as prostitutas esbofeteadas pelos esqueleto de repente dos espelhos
todas as horas-da-morte nos casebres em que as aranhas tecem vestidos para o sopro do
silêncio
todas as crianças com cães batidos no crispar das bocas sujas
de miséria...

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro...

Mas não por mim, ouviram?
Eu não preciso de lágrimas!
Eu não quero lágrimas!

Levanto-me e proíbo as estrelas de fingir que choram por mim!

Deixem-me para aqui, seco,
senhor de insônias e de cardos,
neste ódio enternecido
de chorar em segredo pelos outros
à espera daquele Dia
em que o meu coração
estoire de amor a Terra
com as lágrimas públicas de pedra incendiada
a correrem-me nas faces
— num arrepio de Primavera
e de Catástrofe!

José Gomes Ferreira

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O sorriso é uma arma ...

O sorriso é uma das características que nos distingue. Um simples sorriso pode deixar-nos tão felizes... dar-nos esperança, ajudar-nos a sonhar e a vencer os obstáculos diários que a vida teima em colocar no nosso caminho. Um sorriso espontâneo, um sorriso sincero, contagia-nos e transporta-nos para outra dimensão. O poder do sorriso é gigantesco, e saber, e gostar de sorrir, são duas das coisas mais importantes da nossa vida.

O sorriso é a expressão mais bonita que o ser humano tem, é a nossa linguagem universal, e sorrir é apenas e só uma questão de atitude.

"No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoa para ele".
Antoine de Saint Exupery

Por isso amigos quando alguém vos magoar sorriam, quando sentirem revolta pelo que se passa no Mundo, sorriam, hoje mais do que ontem não podemos deixar morrer o sorriso . Aqui vos deixo o meu sorriso do tamanho do Mundo para todos vocês ...


terça-feira, 7 de outubro de 2008

As fobias devem ser tratadas. Vão ao médico ...


Lisboa é uma cidade tolerante e é uma cidade de liberdade de expressão, [mas] onde é proibido o apelo à violência, ao xenofobismo e ao racismo. (…) Lisboa não pode compactuar com este tipo de mensagens, venham elas de onde vierem», refere Sá Fernandes que garante ter o apoio do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa.

A Câmara de Lisboa retirou, na noite desta segunda-feira, o cartaz do Partido Nacional Renovador (PNR) que estava na praça de Entrecampos da capital, por considerá-lo de cariz racista.

Esta medida surgiu depois do autarca ter lançado um ultimato ao partido para retirar o cartaz até às 18:00 horas desta segunda-feira.

Em resposta, o PNR não só se recusou a retirar o cartaz, como fez saber que vai apresentar uma queixa-crime por abuso de poder à Câmara Municipal de Lisboa, em concreto à vereação de Sá Fernandes.

Xenofobia é o medo (fobia, aversão) que o ser humano normalmente tem ao que é diferente (para este indivíduo).

Xenofobia é também um distúrbio psiquiátrico ao medo excessivo e descontrolado ao desconhecido ou diferente.

O que pode levar alguém a sentir-se superior ao seu semelhante. O que pode levar alguém a pensar que há seres humanos de primeira e seres humanos de segunda. Tratem os vossos distúrbios psicológicos até conseguirem perceber que todos somos iguais ... mas depressa por favor .


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Esta coisa das pessoas pensarem.....

Esta coisa das pessoas pensarem, tem que se lhe diga...Todos nós sabemos que temos milhares de pensamentos por dia. São muitos e não conseguimos agarrá-los a todos. Mas neste preciso momento agarrei um….tem a ver com a frontalidade.

Realmente interessante, tão genuína, tão verdadeira, tão forte, mas também tão devastadora, e tão chocante, se não for utilizada com bom senso. Sempre fui uma pessoa frontal por uma questão de feitio.

Aos vinte anos conseguia dizer ao meu chefe (ou chefa) no auge de uma discussão:
- Isto não pode ser feito assim. Vou fazer como deve ser feito e não quero saber de mais nada!!!

Hoje em dia digo (usando o meu melhor sorriso):
- Voltamos a falar depois do almoço ( e saio a correr para o meu gabinete para fazer alguns exercícios de respiração e relaxamento e se não funcionar direi umas valentes asneiras baixinho)

A frontalidade é um instrumento valioso, mas acredito que conforme vamos amadurecendo, a vamos conseguindo suavizar, tornar menos agressiva para o próximo. Ser frontal é para mim ser honesta, não só comigo própria como com os outros.

Um conselho (se me permitirem): usem e abusem da frontalidade, tentem não enganar ninguém, digam apenas aquilo que sentem sem subterfúgios, sem jogadas, sem segundas intenções …mas tentem usá-la com carinho pelo próximo.

Outra vez a falar de mim própria ? Chiça que já não aguento tanto narcisismo da minha parte !

Porquê falar de nós próprios se há tantos outros assuntos de maior relevância de que podemos falar ? Desculpem-me meus amigos mas hoje não resisti, é que ontem cheguei a conclusões tão peculiares sobre mim própria (ás vezes acontece) que considero no mínimo imperioso e urgente partilhá-las convosco.

  • Acredito em Deus. Um Deus muito especial, só meu, diferente de todos os outros, mas abomino a Igreja. Odeio a sua postura estúpida e retrógrada que dita leis sem pensar no que é razoável, sem pensar nas consequências que elas podem trazer a todos os seus seguidores.
  • Acredito numa sociedade em que todos sejamos iguais, onde haja igualdade de direitos e de oportunidades para todos. Não confio em nenhum politico, nenhum dos que conheço hoje em dia é capaz de pensar primeiro no interesse dos outros e só depois nos seus interesses particulares.
  • Sou do Benfica. Gosto (vá-se lá saber porquê) do Nuno Gomes, do Moreira, do equipamento vermelho, até do cor de rosa, da Catedral, e da águia Vitória. É-me muito difícil que o meu cérebro consiga não fazer outra coisa durante 45 + 45 minutos, a não ser visualizar 22 gajos a correrem atrás de uma bola, a pontapeá-la, com o único intuito de que ela entre dentro de uma baliza.

Até para aí os meus 12 anos acreditei que a Igreja almejava apenas o melhor para os seus seguidores.

Até aos 30 mantive-me convicta de que alguém conseguiria tornar mas pequeno o fosso que existe entre os ricos e os pobres. Que alguém conseguiria uma maior igualdade para todos nós, e as mesmas oportunidades de vida para todos.

Até hoje continuo a não conseguir obrigar o meu cérebro a ver uma partida de futebol do principio ao fim. Decidi neste momento, que vou tentar alterar também esta minha estranha forma de gostar das coisas. Vou tentar obrigar-me a ser fã de futebol. Tenho esperança que esteja aqui a única hipótese de conseguir que alguma coisa em que eu acredite possa vir a ser uma realidade, neste caso me possa oferecer alguma alegria.

É que sinceramente estou fartinha de desilusões...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

"O Infante" música de Dulce Pontes, letra de Fernando Pessoa

Andava eu vagueando no You Tube, passatempo a que me dedico de quando em vez, quando descubro um video da Dulce Pontes. "O Infante" letra de Fernando Pessoa, música de Dulce Pontes, cantada pela mesma, mas ... com tradução em Inglês. Senti curiosidade em saber quem tinha realizado este video, e surpreendentemente chego à conclusão de que a pessoa em causa é :
Fabio , 51 anos, vive em Vitória, é natural de Belo Horizonte, Brasil, e é projectista de profissão











Realizou mais 3 videos sobre a sua cadeira de rodas multifuncional um da Dulce Pontes intitulado "La Mer", e um outro cujo protagonista é um cão chamado Pantufa.

O que leva alguém que não é Português a realizar um video com esta canção da Dulce Pontes, e a ter a preocupação de nele incluir a tradução das palavras de Fernando Pessoa para Inglês ?



Tentei encontrar outros videos no You Tube com esta melodia, mas apenas consegui encontrar um outro com imagens da Dulce Pontes e ... realizado por um Italiano.

O que nós podemos descobrir quando vagueamos no You Tube...

P.S. A canção, a voz, as imagens, são no mínimo... espectaculares !

Desejo a todos vocês um fim de semana sereno, transparente e brilhante.


"Limito-me a ser quem sou:
sereno(a) , transparente e brilhante. Quando irradiamos
o que somos, quando apenas fazemos o que desejamos fazer,
afastamos automaticamente quem nada tem a aprender
connosco e atraímos imediatamente aqueles que, sim,
têm algo a aprender e também algo a ensinar-nos."
-- Richard Bach in Ilusões

P.S.
Fotografia tirada na Praia da Rocha, Portugal.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

"A biblioteca de Babel" de Jorge Luis Borges percursora da Internet ?

“O UNIVERSO (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no centro, cercados por balaustradas baixíssimas.De qualquer hexágono, vêem-se os andares inferiores e superiores: interminavelmente..” (A Biblioteca de Babel – Jorge L. Borges)

“A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direcção, comprovaria ao fim dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, reiterada, seria uma ordem: a Ordem). Minha solidão alegra-se com essa elegante esperança.” (A Biblioteca de Babel – Jorge L. Borges)

No conto A Biblioteca de Babel, o escritor argentino Jorge Luís Borges descreve um edifício imaginário que guardaria todos os livros do mundo e, consequentemente, abrigaria as respostas a todas as perguntas e as soluções de todos os enigmas. Na semana passada, o Google aproximou-se da fantasia do autor de O Aleph. O mais famoso programa de busca da Internet acaba de fechar um acordo com algumas das maiores bibliotecas do mundo - a pública de Nova York, a das universidades americanas de Stanford, Harvard e de Michigan e a da universidade britânica de Oxford.

"Estamos a abandonar a logosfera, reino do manuscrito e da escrita, e a entrar no admirável mundo da electrónica e dos hipermédia. Vai ficando para trás o mundo da representação, da presença e da edição crítica, com todos os mitos e rituais da escrita que nos precederam. Inexorável, emerge à nossa frente um Novo Mundo, cuja virtualidade e simulação, como espaço/não-espaço (utopia), temos de praticar".
(José Augusto Mourão)

Aqui está uma realidade que me assusta, a vocês não ?