
Todos nós temos recordações de infância. As más não vale a pena relembrá-las, as boas aconchegam-nos durante a vida. Algumas das boas recordações que tenho da minha, têm um local onde foram vividas, Loureiro, Touce, Oliveira de Azémeis, quinta para onde foram viver os meu avós paternos depois de se reformarem. Não eram pessoas muito afectuosas os meus avós, mas sei que gostavam de mim e eu gostava deles. As boas recordações vêm mais da liberdade que tinha quando para lá ia, os passeios de bicicleta, o rio onde as mulheres lavavam a roupa, o pinhal onde se apanhava a lenha para o inverno, os cheiros dos fogões a lenha, as desfolhadas nas eiras, os sabores da broa de milho como nunca mais consegui encontrar, as regueifas, os rojões, as enguias, as festas de Nossa Senhora de La Salette, em Oliveira de Azeméis, os animais que não podia ter na minha casa em Lisboa e que sempre adorei, a praia da Torreira, do Furadouro, do Areinho na Ria de Aveiro, as vindimas, e tanta outra coisa de que tenho saudades. Há já muito tempo que tenho o sonho de lá voltar, de ver como tudo está, de relembrar in loco o que lá vivi. Vou realizar esse sonho este fim de semana, sei que ao fim de 40 anos vou encontrar tudo diferente, mas bem cá no fundo tenho esperança de conseguir encontrar alguma coisa igual, nem que sejam apenas os cheiros, das praias, dos campos, dos pinhais. Fica já aqui prometido, 2ª feira conto-vos como foi.




