O Pantufa é o gato da
Cachorrita.
Deu-lho uma colega minha de trabalho há 15 anos. Não é um gato muito dócil, mas é o nosso gato. Além disso é um gato que fala, ou quase fala, diz bom dia quando entra em casa (se ouvissem o miar dele saberiam que não estou a exagerar).
Aliás eu tenho dois fenómenos no meu pequeno jardim zoológico particular, o Pantufa que é o único gato que fala, e ainda por cima em português, e o
Freddy que é o único cão que ri. É verdade não estou a brincar, ainda um dia vos

hei-de mostrar o cão que ri e espero também conseguir mostrar o gato que fala.
Hoje estava em dia não, depressão profunda mesmo, vinha para casa a pensar naquela canção do Rui Veloso, e como ela expressa tão bem o que sinto nestes dias "Não queiras saber de mim, esta noite não estou cá ... Quando a tristeza bate, pior do que eu não há". Passei o portão e arrumei o carro na garagem, aí o João diz-me : acabaste de atropelar o Pantufa, acertas-te-lhe mesmo em cheio com a roda de trás ! A tristeza imediatamente se transformou em quase pânico.
Procurámos o gato mas não o víamos em lado nenhum, porque afinal quem devia estar em pânico era ele e não eu. Quando comecei a chamar pelo Pantufa, a Bianca, (outro fenómeno, os cães não conseguem fixar nomes, mas a Bianca sabe muito bem quem é a Joana, quem é a Dona, e pelos vistos também sabe quem é o Pantufa) levou-me para junto dos feijões, e lá bem escondido no meio estava o meu gatito. Fugiu quando o tentámos apanhar, para o quintal de vizinha, a coxear das patas de trás. Levei-o ao veterinário que me disse ter a sensação que não seria nada de extremamente grave, deu-lhe uma injecção e aconselhou-me a aguardar até amanhã, porque lhe parecia que o gato estava apenas dorido, amanhã se não estiver melhor terá de ser radiografado, não vá ter os ossos da bacia partidos, embora num gato com a idade do Pantufa não seja muito aconselhável qualquer operação. Está agora deitado na minha cama (coisa que lhe é proibida) entre as almofadas, dei-lhe comida à boca que ele comeu com satisfação o que me pareceu ser um bom agouro, passou-me a depressão e fiquei apenas com a preocupação. Não há dúvida que há pessoas que têm tendência para dar grande importância a coisas que afinal se pensarmos bem até não têm importância nenhuma, é preciso ás vezes um abanão bem forte para nos lembrarmos que a vida são dois dias e que temos que os viver em pleno.