segunda-feira, 20 de maio de 2013

Sempre fiz questão de comemorar as datas que têm importância na minha vida porque considero  imprescindível que existam dias diferentes e especiais nas nossas vidas.

Em criança o dia do meu aniversário era o dia  em que toda a família me mimava, em que aconteciam as festas com os amigos e em que tinha roupa nova para vestir, porque os tempos eram difíceis e ter roupa nova era um verdadeiro luxo.


Depois veio o casamento e com ele os filhos. Os mimos da família mantiveram-se e tornaram-se ainda mais especiais porque foram reforçados por aqueles que são e serão sempre as pessoas mais importantes das nossas vidas: o nosso companheiro e os nossos filhos. As festas com os amigos continuaram  e o luxo da roupa nova foi substituída pelo luxo de fazer questão de ser o único dia do ano em que eu era a pessoa mais importante para mim própria. Era o MEU DIA .


Os anos passaram e tantos dos familiares que me mimavam já partiram que até dói a saudade que sinto deles. Mantiveram-se alguns amigos, outros  pouco a pouco se foram juntando e claro que continuo a adorar os mimos que fazem questão de me oferecer, no entanto por opção minha as festas de aniversário passaram a realizar-se sem eles. Deixou também de ser o dia em que sou a pessoa mais importante para mim própria porque na realidade não é nenhuma a importância que tenho, importantes são o meu marido, os meus filhos, a minha nora, o meu genro, a minha mãe  e claro o meu neto, o bébé mais lindo do Mundo. Hoje a  companhia de todos eles, a magia dos seus sorrisos, o calor dos seus abraços, e a doçura do seu carinho e do seu amor são os ingredientes para me fazerem feliz, e como sei que terei direito  a todos eles, hoje irá ser com toda a certeza um dia mágico e especial.




Por tudo isto e com tudo isto só poderia mesmo continuar  a adorar o dia do meu aniversário !!!


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Um Labrador não é um cão é um Labrador !!!

Ela um dia irá ser também especial foi o que me disseram, mas não acreditei.
 

Na verdade não me dá lambidelas de carinho quando a acaricio, salta para cima de mim desafiando-me para a brincadeira com uma pura "alegria bruta" (que é o termo exacto para descrever as suas investidas), no entanto também se deita aos meus pés quando lavo a loiça ou cozinho, tornando como podem calcular todas estas tarefas um pouco mais difíceis, e deita-se ao meu lado no tapete do quarto penso que à espera  que eu adormeça, porque acaba sempre por se levantar depois de algum tempo para dormir o resto da noite na sua cama feita com cobertores (no inverno) e lençóis (no verão) cheios de buracos pois um dos seus passatempos preferidos é roer a cama onde dorme. Entrou agora mesmo com o dono, a porta bateu com toda a força na parede porque quis entrar ao mesmo tempo que ele, deitou-se aos meus pés como se estivesse morta de cansaço, o dono voltou a sair há segundos e novamente a porta bateu porque ela não podia deixar de o acompanhar.
 
Há quem diga que um Labrador não é um cão é um Labrador e eu acredito que sim. Aprendi que não há no entanto dois Labradores iguais. O que todos têm em comum é a dedicação pelos donos, e a necessidade da sua companhia. A Nicky é ainda uma cachorrita e na verdade devido a várias condicionantes na minha vida não tenho tido oportunidade de lhe dedicar o tempo que ela tem necessidade que lhe dedique, nunca será a Bianca, porque a sua personalidade é totalmente diferente, mas a verdade é que com todos os seus defeitos e com todas as suas virtudes ela se tornou muito importante para mim.
 
 A Nicky afinal também se tornou especial porque ela como todos os outros Labradores não é um cão é um Labrador.

sábado, 17 de novembro de 2012

A minha singela homenagem a ALGUÉM que nunca esquecerei.

Lembro-me perfeitamente de todos os momentos da sua/nossa vida. De ela nos ter escolhido quando fomos ver a ninhada. De todos sentados no sofá, ela sentada no tapete a olhar para nós, uma bolinha de pelo, e nós a tentarmos escolher o seu nome. De entre muitas outras hipóteses alguém falou em Bianca, e unanimente decidimos que seria esse o seu nome, por termos achado piada à contradição entre o nome e a cor dela.
Dormiu no meu quarto nesse dia, no banquinho junto à janela, e apesar de ter sido afastada tão pequenina da mãe e dos irmãos, nem um latido, nem um choro ouvimos. Nunca fez chichi em casa, nunca estragou um brinquedo por muito que brincasse com ele.
Aos cinco meses descobrimos a sua aptidão para nadar e ela descobriu talvez a coisa que mais prazer lhe dava fazer. Nadar e passear eram as coisas que a faziam mais feliz. Com a minha filha rapidamente aprendeu na escola de cães tudo o que um cão supostamente bem educado deve fazer.
Ficar sozinha no carro ou à porta de qualquer estabelecimento onde não era permitida a entrada de cães, o tempo que fosse preciso não eram quaisquer problemas para ela. Uma companheira sempre presente em todos os momentos da nossa vida, nas férias, nas miniférias, do Algarve à Serra da Estrela sempre nos acompanhou. Sabíamos lá nós passear sem ela, podia lá ela ficar sem a nossa companhia nem que fosse apenas por um fim de semana. De trela vermelha na boca seguia ao nosso lado em todos os passeios, e assim entrou na sala de operações todas as vezes que foi operada.
Devia ter vivido mais tempo, mas diz a sabedoria popular que são os bons que partem mais cedo. Como nos vai ser difícil viver sem ela, sem os seus olhos doces, sem as suas lambidelas de carinho.
Perdida e vazia é como me sinto neste momento. Apoderou-se de mim um enorme desalento, foram-se as forças para enfrentar o futuro. Será que é verdadeira a teoria de que quando nos vamos desta vida atravessamos um túnel no final do qual existe uma luz maravilhosa ? Se assim for com toda a certeza será aí que voltarei a encontrar a minha Bianca. Até lá terei de viver com esta enorme saudade.
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Todos diferentes, todos iguais !!!

 
Dizem que os cães são a imagem dos donos. Até agora tive quatro, todos tinham em comum a simpatia , a bondade e a entrega total por todos nós.
O primeiro, um rafeiro castanho, comprido e de patas baixas foi encontrado abandonado. Acompanhou o nascimento e o crescimento dos meus filhos durante quinze anos, com a idade foi ficando surdo, por isso foi atropelado e morreu na operação para o salvar. Dele ficaram-nos imensas memórias inesquecíveis, destaco apenas o momento em que na precisa altura em que o nosso gato Pantufa se preparava para saltar sobre uma pomba que tínhamos acolhido, o nosso Biscas estratégicamente se colocou entre os dois, para que a pombita não pudesse ser atacada.
O segundo, o Freddy, lindo, dourado de porte médio e pêlo comprido, possivelmente arraçado de cocker, foi também encontrado perdido. Um "fujão" por natureza, trepava e cortava com os dentes as redes que fomos obrigados a colocar à volta da casa. De vez em quando dava-lhe aquela vontade de encontrar uma namorada e nada que fizéssemos o impedia de fugir. Voltava sempre, demorava uma ou duas semanas e uma das vezes até um mês, quase sempre ferido, sujo, mas cheio de saudades dos donos. Era um verdadeiro doce, meigo para todos, animais ou pessoas. Morreu a dormir, tinha 16 anos.
 
 
A Bianca um labrador preto foi-me oferecida. Não sou capaz de encontrar as palavras exatas para a descrever. Uma grande companheira que nos tem acompanhado de há 9 anos a esta parte. Férias só em locais onde aceitassem cães. Adora água, e nadar é o que mais prazer lhe dá fazer, é a nossa "foquinha". A trela serve para levar na boca e quem por nós passa e a vê, exclama sempre "olha é o cão que leva os donos e não os donos que passeiam o cão". Pródiga em ser obediente é capaz de ficar sentada quieta, com a trela na boca durante horas, enquanto entramos num café, ou qualquer tipo de estabelecimento onde não seja permitido entrarem cães. Tão doce, tão amiga e tão calma a minha Bianca. Os meus últimos 9 anos de vida estão marcados pela sua companhia. Foi-lhe diagnosticado um "carcinoma maligno de alto grau de malignidade e com metastização linfática". Tem 40% de hipoteses de sobreviver. Foi operada ontem e não sabemos como vai ser a evolução da doença. Sei que como qualquer ser vivo não merece sofrer, sei que quando chegar o momento dela partir  eu estarei ao lado dela, sem chorar, para que vá feliz, e o que mais gostaria de lhe oferecer nesse momento eram o cheiro e a "música" do mar.

Tenho agora a Nicky, de 9 meses, um labrador amarelo muito agitada e vivaça, meiga, simpática e muito amiga, não tem aquela adoração pela água que tem a nossa "foquinha", não passeia com a trela na boca, não se senta horas a fio imóvel à porta de um café à espera dos donos. Talvez um dia ela faça isso ou talvez não, adora-nos e isso é importante, mas acima de tudo é uma grande companhia nos momentos de solidão, e a pouco a pouco vamos descobrindo todas as facetas em que é exímia e que a fazem tão especial. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Agora estão me levando mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo ... Bertolt Brecht

Inquietação, uma inusitada inquietação e uma profunda tristeza é o que sinto neste momento.

Como vai ser o futuro do meu país e dos portugueses ?

A linha S.O.S Vida pede voluntários para conseguirem dar resposta aos apelos de ajuda, de todos os desempregados, de todos os que perderam as suas casas, de todos os que não têm dinheiro nem sequer para comer, de todos os que pensam que a sua única saída é o suicídio.

Os nossos (des)governantes continuam a oferecer-nos mais do mesmo, sem sequer se darem ao trabalho de fingir darem o exemplo, continuando a viver com todas as mordomias com que sempre viveram.

O povo português continua a aceitar pacificamente todos os sacrifícios que lhe são impingidos.

No Facebook continuam a proliferar os posts habituais que demonstram como as pessoas continuam apenas a preocupar-se com os seus "gigantescos" problemas particulares:

Que é feito da solidariedade ? Será que ainda tão poucos perceberam que há tanta gente à nossa volta a precisar do nosso apoio? Será que os portugueses se esqueceram da urgência de nos unirmos e lutarmos pelos direitos que conquistámos com tanto esforço e que nos estão a ser roubados um a um até nenhum deles restar ? Será que os portugueses deixaram de acreditar que a união faz a força ? É urgente unirmo-nos todos, sem excepções, e lutarmos pelos nossos direitos e pelo nosso futuro, o futuro dos nossos filhos e dos nossos netos, o futuro do nosso Portugal.
 
Deixo-vos com um texto de Bertolt Brecht, leiam-no com atenção, interiorizem-no, absorvam-no. Talvez ainda seja possível salvarmos Portugal ...
 
 


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

E como me é gratificante aprender !!!

Estudar é muito importante, mas pode-se estudar de várias maneiras…
Muitas vezes estudar não é só aprender o que vem nos livros.
Estudar não é só ler nos livros que há nas escolas.
É também aprender a ser livres, sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante, às vezes, urgente.
Mas os livros não são o bastante para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever, mas também a viver, mas
também a sonhar.
É preciso aprender a crescer, aprender a estudar.
Aprender a crescer quer dizer:
aprender a estudar, a conhecer os outros, a ajudar os outros, a viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros aprende sempre a viver bem consigo próprio.
Não merecer um castigo é estudar.
Estar contente consigo é estudar.
Aprender a terra, aprender o trigo e ter um amigo também é estudar.
Estudar também é repartir, também é saber dar o que a gente souber dividir para multiplicar.
Estudar é escrever um ditado sem ninguém nos ditar;
e se um erro nos for apontado é sabê-lo emendar.
É preciso, em vez de um tinteiro, ter uma cabeça que saiba pensar, pois, na escola da vida, primeiro está saber estudar.
Contar todas as papoilas de um trigal é a mais linda conta que se pode fazer.
Dizer apenas música, quando se ouve um pássaro, pode ser a mais bela redacção do mundo…
………..Estudar é muito
……………..mas pensar é tudo!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar.
Dalai Lama




sexta-feira, 22 de junho de 2012


Voltei a ser capaz de sentir AQUELA PAZ...

Quando o aperto nos meus braços: tão cheiroso, tão bom, tão macio ...
Quando me sento junto ao seu berço a vê-lo dormir: tão sereno  ...
Quando acorda e se movimenta com os seus movimentos de bébé: tão graciosos, tão inocentes ...




Criança, sonha ...
Não saibas – imagina ...
Deixa falar o mestre, e devaneia ...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia

Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões
Um a-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições

Voa pelas janelas
De encontro a qualquer sol que te sorria!
Asas?
Não são precisas
Vai ao colo das brisas,
Aias da fantasia.
Miguel Torga



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Rui Veloso - Do meu vagar





Lentamente sinto instalar-se em mim uma agradável letargia, finalmente tenho a capacidade de saborear a vida e os momentos, os já vividos e os que sonho viver.  

Ofereço-me e ofereço-vos esta extraordinária música do Rui Veloso, com esta genial letra de Carlos Tê :


Já não há mais o vagar
De quando se comia sentado
E devagar se caminhava
Até chegar a qualquer lado
Agora vai toda a gente
Sempre de mão na buzina
Sempre na linha da frente
A tremer de adrenalina

Do meu vagar não traço rotas
Não tenho trilho que me prenda
Não tiro dados nem notas
Não encho uma linha de agenda
Do meu vagar não chego a Meca
Não faço nada num só dia
Não corto o fio da meta
Não vejo Roma nem Pavia
Do meu vagar
Sei que nunca hei-de ir longe
Vou aonde for preciso
Vou indo do meu vagar
Em busca do tempo perdido
E se um dia o encontrar
O longe não faz sentido

Do meu vagar há um nicho
Um pico de ilha insubmersa
Onda há lugar para o capricho
Que dá pelo nome de conversa
Do meu vagar a paisagem
Ainda tem beleza em bruto
E vale mais uma palavra
Que mil imagens por minuto
Do meu vagar
Sei que nunca hei-de ir longe
Vou aonde for preciso
Vou indo do meu vagar
Em busca do tempo perdido
E se um dia o encontrar
O longe não faz sentido

BOM FIM DE SEMANA !!!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Bom fim de semana !!!!



Mundo Deserto

Elis Regina

No mundo deserto de almas negras
Me visto de branco
Me curo da vida sofrida, sentida
Que deram pra mim
No mundo deserto de almas negras
Sorriso não nego
Mas vejo um sol cego
Querendo queimar o que resta de mim
Vivo no mundo deserto de almas negras
Vivo no mundo deserto de almas negras
Vivo no mundo deserto de almas negras
Na vontade de verdade
Eu quero ficar
E não acredito no dito maldito
Que o amor já morreu
Tenho fé que o meu país
Ainda vai dar amor pro mundo
Um amor tão profundo, tão grande
Que vai reviver quem morrer

terça-feira, 5 de junho de 2012

Para acordar consciências neste nosso tempo de cada vez maior desumanidade ...

Óleo de Paula Rêgo

Procura-se um amigo
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinicius de Moraes

segunda-feira, 4 de junho de 2012



Óleo de Paula Rêgo

Cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos, in "Poemas"

terça-feira, 29 de maio de 2012

Nunca esteve tão bonita a minha casa, na realidade nunca pensei que a minha casa pudesse ter a beleza que tem neste momento. Duas molduras, duas fotografias do membro mais novo da família fizeram este milagre.

Olho para as fotos e vejo "inocência" e desejo que todos nós tenhamos a capacidade de a preservar ao longo da nossa vida.

Olho para as fotos e vejo "simplicidade", e sonho com um novo modelo de sociedade  que se baseie nela. Uma nova sociedade  despojada de preconceitos, em que todos sejamos livres, em que haja igualdade de oportunidades e direitos e baseada numa felicidade atingida não através  dos bens materiais mas através do respeito, da afectividade e do carinho.

Talvez tenha nascido com alguma malformação nos neurónios porque apesar de toda a informação que neles fui acumulando ao longo dos meus já longos cinquenta e quatro anos de vida continuo a acreditar que ainda é possível mudar mentalidades e construir um Mundo mais feliz e mais justo.

sábado, 26 de maio de 2012


A família é muito maior do que se imagina porque representa o passado, o presente e também o futuro.

E o valor 'família' só é possível se estiver associado ao valor 'amor' e ao conceito 'incondicional'.

sábado, 12 de maio de 2012

É minha lei, é minha questão, virar esse mundo, cravar esse chão.


Sonhar

Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

Vou ali, antecipar a realização de um sonho antes que ele se torne impossível. Até já ...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A minha música para hoje dia 11 de Maio - Rui Veloso - Cavaleiro Andante



Porque tu és o meu cavaleiro andante
Que mora no meu livro de aventuras
Posso  chorar no teu peito
As mágoas e as desventuras

Sempre que o vento me ralhe
E a chuva de maio me molhe
Sempre que o meu barco encalhe
E a vida passe e não me olhe

Porque tu és o meu o cavaleiro andante
Que o meu velho medo inventou
Posso ir chorar no teu peito
Pois sei sempre onde estás

Sempre que a rádio diga
Que a américa roubou a lua
Ou que um louco me persiga
E me chame nomes na rua

Posso ir chorar no teu peito
Longe de tudo o que é mau
Tu irás estar sempre ao meu lado
No teu cavalo de pau ...

OBRIGADA !!!!!!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Como os nossos pais ...



Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais.

domingo, 6 de maio de 2012

GAC - Ronda do Soldadinho

S

Letícia Thompson

Ser mãe dói.

Dói quando o filho nasce e ela  pergunta a si própria como o vai saber educar. Dói quando, tendo o futuro todo pela frente, ela se sente perdida, como se o mundo não tivesse continuação. Dói quando o filho chora de noite e ela não sabe bem como acalmá-lo.

Ser mãe dói quando o filho fica doente e ela quer trocar de lugar com ele e não pode.

Ser mãe dói quando o filho não quer ir à escola e ela precisa fazer um esforço sobrenatural para não chorar ao deixá-lo.  Mas dói também, quando ao deixá-lo  na escola, ele dá um sorriso e diz adeus. Dói sentir que ele se desprega, se solta,  se torna independente. Como dói!!!

Ser mãe dói quando o filho tem problemas na escola e ela precisa ouvir com naturalidade as queixas. Doem a adolescência e as questões existenciais.

Deve ser uma dor imensa ver um filho ir para a guerra. Deve doer imensamente ver um filho seguir caminhos diferentes dos que julgamos corretos. Mãe que vê o filho sofrer, sofre a dobrar.

Ser mãe é uma missão que dói a vida inteira.

Ser mãe é ter a dádiva do dar. Ela planta e sabe que não é para ela.

Ser mãe dói sim. Mas engrandece também. A medida da dor é também a medida da alegria de ver o filho feliz.

A maternidade é a corôa de toda a mulher. De espinhos... mas de flores também!

Benditas sejam todas as mães do mundo!!!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Porque a vida sem ternura não é lá grande coisa ...

Li-o quatro ou cinco vezes já há muitos anos, voltei a lê-lo agora porque um projeto em que me envolvi me desafiou a faze-lo: "O meu pé de laranja-lima" . Lembro-me que chorei todas as outras vezes que o li mas nunca tanto como agora. A comoção começou logo no primeiro capítulo e acompanhou-me até ao fim da leitura. Porquê ?!? Talvez porque a TERNURA se foi perdendo lentamente durante os anos, nesta nossa sociedade sempre em  transformação, certamente "... porque a vida sem TERNURA não é lá grande coisa ... "




“Enfeite-se com margaridas e ternura e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse nos seus olhos e beba licor de névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases subtis e palavras de galanteria.”

Carlos Drummond de Andrade