quinta-feira, 30 de abril de 2009

Porque hoje é dia 30 de Abril de 2009 ...


Estamos todos esperançosos na vitória hoje à noite da tua "Dita Dura". Claro que todos gostariamos que ganhasses, mas o que é realmente importante é sabermos que irás continuar, enquanto houver estrada para andar. Tu tens a força necessária para sonhar e perceber que a estrada vai muito mais além do que se vê. Nós estaremos sempre aqui torcendo por ti, e tentando acompanhar o teu percurso nessa tua estrada.


Deixo-te esta prendita porque sei que, também tu, só assim sabes cantar :

"Cantar" Pedro Barroso


Estou aqui meus senhores para vos dizer
CANTAR não pode ter regulamento
só canta de encomenda quem quiser
quem faz uma canção tem que a assumir
e não apenas querer passar o tempo

CANTAR, CANTAR, CANTAR é acreditar

CANTAR não é redoma lucro ou montra
é ter uma intenção e ter coragem
não é a lantejoula luzida o que mais conta
Mas ter por arma uma viola na bagagem
e ter um povo inteiro na viagem

CANTAR, CANTAR, CANTAR é acreditar

CANTAR é alma, é dedos, corpo, dor e riso
CANTAR é acto de combate colectivo
pela acusação, pelo despertar e pelo aviso
CANTAR é uma maneira de ser povo
CANTAR é uma maneira de estar vivo

CANTAR, CANTAR
CANTAR, CANTAR é acreditar

...

Desejo-te para logo ... muita merda e muitas pernas partidas ...

...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Ainda Marina Colasanti


Às seis da tarde

Marina Colasanti

Ás seis da tarde
as mulheres choravam
no banheiro.
Não choravam por isso
ou por aquilo
choravam porque o pranto subia
garganta acima
mesmo se os filhos cresciam
com boa saúde
se havia comida no fogo
e se o marido lhes dava
do bom
e do melhor
choravam porque no céu
além do basculante
o dia se punha
porque uma ânsia
uma dor
uma gastura
era só o que sobrava
dos seus sonhos.
Agora
às seis da tarde
as mulheres regressam do trabalho
o dia se põe
os filhos crescem
o fogo espera
e elas não podem
não querem
chorar na condução

terça-feira, 28 de abril de 2009


Eu sei, mas não devia.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender mais cedo a luz.
E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti

segunda-feira, 27 de abril de 2009

"Dinner" óleo de Henry Matisse

Na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. Depois, a minha irmã mais velha
casou-se. Depois, a minha irmã mais nova
casou-se. Depois, o meu pai morreu. Hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. Cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. Mas irão estar sempre aqui.
Na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
Enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.

José Luís Peixoto

domingo, 26 de abril de 2009


Balanços Provisórios

Estamos mais gordos mais magros
talvez mais denso
ou mais pesado o nosso olhar
temos pressa de ternura
angústias de vez em quando
e umas contas de telefone atrasadas
para pagar.

Temos falta de cabelo
três ou quatro cicatrizes
sofremos de inquietação.
Muitas vezes nos disseram
como é rápido o deslize
mesmo assim nunca deixámos
de dar corda ao coração.

Daqueles que já partiram
guardamos silêncio e nome
e uma improvável mistura
de amargura e rebeldia
nas palavras desordeiras
que dizem redizem cantam
relembrando dia a dia
como é feita de azinheiras
a capital da alegria.

Muitas ondas já morreram
outras tantas vão nascer
muitos rios já se cansaram de correr até á foz
águas claras que se foram
outras águas se turvaram
e agora restamos nós.

Somos muitos somos poucos
calmamente radicais
sabemos vozes antigas
trazemos a lua ao peito
amamos sempre demais.

Neste caminho tomado
fomos traídos trocados
vendidos ao deus dará.
Nem por isso desistimos
e assim nos vamos achando
perdidos de andar às voltas
nas voltas que a vida dá.

Somos uns bichos teimosos
peixes loucos aves rindo
plantas poetas palhaços
e portanto resumindo
somos mais do que nos querem
estamos vivos
somos lindos!

José Fanha

sábado, 25 de abril de 2009

sexta-feira, 24 de abril de 2009


25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

Faz amanhã 35 anos que emergimos da noite e do silêncio. Sinto-me privilegiada por o ter vivido. Época de esperança imensa num Portugal melhor. Será ainda possível cumprir os sonhos de Abril ? 35 anos depois, volta a insegurança. 35 anos depois voltam os medos ...

Que é feito do sol de Abril
que nos circulou pelas veias?
Que é feito das ruas cheias
quando o céu era um balão
e andava tudo ao contrário
as estátuas vinham ao chão
e o sonho era o nosso horário?
Que é feito do mês do sonho
quando o sonho era concreto
e tinha forma de casas
e portas abertas e pão
quando o sonho que sonhámos
era um filho colectivo
parido pela multidão
Que é feito do mês de Abril?


José Fanha

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Hoje trouxe rosas do meu jardim. Está já tão pleno de flores o meu jardim. Profusão de cores, formas e odores. Apetece mergulhar no meu jardim. Geralmente é em Maio que o meu jardim transborda de flores. É ainda Abril e no meu jardim vejo Maio. Estranho tempo este que baralhou o meu jardim, e me perturba a mim.

quarta-feira, 22 de abril de 2009


Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ...
Que já têm a forma do nosso corpo ...
E esqueçer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares ...

É o tempo da travessia ... E se não ousarmos fazê-la ... Teremos ficado ... para sempre ... À margem de nós mesmos...

Falemos então de chupões ... vejamos os diferentes significados da palavra :

1. Que chupa, ou costuma chupar.

2. Que produz efeito de sucção, ou semelhante ao de sucção

3. Tabu. Que costuma praticar sexo oral

4. Aquele ou aquilo que chupa.

5. Acção de chupar com força

6. Beijo forte, sensual ou de contacto sexual, que se dá com a boca aberta e com acção de sugar; esse tipo de beijo é dado geralmente na pele do pescoço ou da nuca, e deixa marca.

7. Marca na pele, deixada por algum tipo de sucção ou por beijo forte.

8. Zool. Inseto hematófago, transmissor da doença de Chagas; BARBEIRO

9. Zool. Inseto hemíptero, da fam. dos coreídeos, que ataca as cápsulas das plantas e provoca clorose.

10. Papel mata-borrão.

11. Chaminé da lareira.

12. Aspiração forte em cigarro.


paredes de pura alvura
flores singelas
paisagem imensa



chaminé de chupão em telha portuguesa
puxa o fogo de chão, ateia
paixões nas noites de invernia



Bem rica e traiçoeira a língua portuguesa, bem lindo o nosso País ...

terça-feira, 21 de abril de 2009

O prometido é devido. Falemos então de Tim Tins ...


















1 Tim Tim + 1 Tim Tim = 2 Tim Tins
Esta é uma verdade aceite universalmente, penso eu ...

Depois há a considerar a questão de quem os tem ...
E ... Cojones ... porque hay que tenerlos ... mas no sitio ...

Para finalizar deixo-vos estas palavras sobre o assunto :

No momento em que nos comprometemos, a providência divina também se põe em movimento. Todo um fluir de acontecimentos surge ao nosso favor. Como resultado da atitude, seguem todas as formas imprevistas de coincidências, encontros e ajuda, que nenhum ser humano jamais poderia ter sonhado encontrar. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar.
A coragem contém em si mesma, o poder, o gênio e a magia.”

Goethe

P.S. : Porque me foi solicitado amanhã falarei sobre CHUPÕES.

segunda-feira, 20 de abril de 2009




Quem de nós põe em dúvida que o mau manuseamento de um joy stick o poderá danificar ?

Por esse motivo aconselho a todos os que tenham por hábito manuseá-los que tenham em consideração as instruções que costumam acompanhá-los.
























Deixo-vos uma imagem que nos pode elucidar
sobre o nome técnico de cada uma das partes que o compõe. Sabendo estes nomes técnicos a hipótese de os danificar será com toda a certeza muito mais remota.

























P.S. A pedido de vários amigos amanhã postarei sobre Tim Tins
É no mínimo estranho a falta de orgulho que temos por tudo o que é nosso.

Qualquer português, que tenha viajado pelo menos uma vez ou duas, dirá que se vive muito melhor em Madrid. Que Barcelona é que é. Que foi a Paris e ficou estupefacto. Que se compararmos Londres com Lisboa, a nossa capital é o campo. Que os alemães é que trabalham. Que na América é que se vive bem. Que a Irlanda é muito para a frente. Que em Cuba é que há bons médicos. Em Itália é que há turismo. A Grécia, aquilo é que são ilhas. O Brasil, aquilo é que é viver. Na Bélgica, aquilo é que é limpeza. A Suíça é que é civismo. A Suécia, a Noruega e a Dinamarca – Deus meu! – é o Olimpo: trabalha-se pouco, mas bem, há instrução a rodos e, do neto ao avô, toda a gente presta serviço à comunidade. A Islândia é que faz música. Em África é que era. Na China é que eles sabem como é que é. A Holanda é que é liberal. A Argentina é que é bonita. A Venezuela não se deixa enganar. O Canadá não se mete em chatices. A Austrália é que deu certo. No Japão é que se pensa como se deve pensar.

E concluem fatalmente: não é como aqui.

Ora todos nós sabemos que em Portugal existem pessoas luminosas e esclarecidas. Também sabemos que exceptuando os portugueses, todos os outros povos do País nos sabem dar algum valor. E que fazemos nós com essa realidade ? Nada, estranhamente nada. Apesar de sabermos que a maior parte dos portugueses concorda connosco.

Todos nós sabemos da riqueza da nossa cultura, do valor da nossa gente, está na altura de assumirmos que amamos o que é nosso, e que nos orgulhamos do nosso país.

domingo, 19 de abril de 2009

Porque é assim que me sinto, partilho com vocês. Deixo-vos com o grande Michael Buble - Feeling Good !!!

Contagiante possaras ...

Uma velha lenda peruana fala-nos de uma cidade onde todos eram felizes.

Todos faziam o que desejavam, e entendiam-se bem - menos o prefeito. Este vivia infeliz porque não conseguia governar nada. A prisão estava vazia, o tribunal nunca era usado, e o tabelião não dava nenhum lucro, porque a palavra valia mais que o papel.

“Falta autoridade aqui”, pensava o prefeito. E tentava, de todas as maneiras, fazer com que as pessoas obedecessem ás leis absurdas criadas pelo governo central.

Até que o prefeito teve uma ideia. Mandou vir operários de longe, que fecharam o centro da praça principal da cidadezinha com um tapume, e começaram a construir algo. Durante uma semana, ouviu-se martelos batendo, serras cortando madeira, vozes de comando dos capatazes.

No final desta semana, o prefeito convidou todos os cidadãos para a inauguração.

Na cidade onde todos eram felizes - menos o prefeito, porque não tinha como usar a sua autoridade - a multidão compareceu em massa para ver o que ia ser inaugurado na praça.

Com toda a solenidade, os tapumes foram retirados, e apareceu… uma forca. Novinha em folha, com a corda balançando ao vento, e as ferragens do alçapão bem lubrificadas.

A partir daquele momento, todo mundo que passava pela praça via a forca.

As pessoas foram ficando tristes. Começaram a perguntar o que aquela forca estava a fazer ali - e, com medo, passaram a resolver na Justiça tudo o que antes era resolvido de comum acordo. Passaram a ir ao notário, registar documentos que antes eram substituídos pela palavra. E passaram a escutar o prefeito em tudo, com medo de ferir a lei.

A lenda termina dizendo que a forca nunca foi usada. Mas bastou a sua presença para mudar tudo.

Paulo Coelho em Blogs e Colunas

sábado, 18 de abril de 2009



Dia 30 farei outro post com os Queen, a canção será "We are the Champions",
Parabéns Rogério Charraz, estamos confiantes, queremos-te confiante, ninguém te conseguirá parar ...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

recados para orkut

POSSARAS, E MERDA TAMBÉM

Hoje a partir das 21,30 h no Forum Romeu Correia em Almada poderão testemunhar a qualidade do Clube de Fans do Rogério Charraz.

Deixo-vos o video de uma das canções que o clube de fans acima mencionado irá apoiar !!!

P.S. Estou com um feeling que vamos sair de lá todos bué contentes ... desejo-vos toda a sorte do mundo e ... que partam uma perna ...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Liberdade

Dedico este post a duas pessoas de quem gosto MUITO.

A ti, a quem neste momento faltam as palavras, ofereço-te as tuas, e o teu (nosso) mar.

A ti, para que sintas como te apoiamos e como desejamos que amanhã seja reconhecido publicamente o teu valor.

video

quarta-feira, 15 de abril de 2009


Texto de Khalil Gibran:

“Sete vezes desprezei a minha alma.

Quando a vi disfarçar-se de humilde para alcançar a grandeza.

Quando a vi coxear na presença de coxos.

Quando lhe deram a escolher entre o fácil e o difícil, e ela escolheu o fácil.

Quando ela cometeu um mal e consolou-se com a idéia de que outros também cometem o mesmo mal.

Quando aceitou a humilhação por covardia e atribuiu isso à sua virtude e tolerância.

Quando desprezou um rosto por julgá-lo feio e não notou a beleza de um espírito.

Quando considerou algum elogio como o reconhecimento da sua capacidade”.

Aquilo em que nos formámos é muitas vezes menos importante do que a maneira como fomos formados. Obama além de ser jurista e político, é filho de uma mãe antropóloga. Há ainda a acrescentar à sua formação uma infância passada na Indonésia e a própria experiência de ser sempre “o outro” junto de negros e brancos.

No video dirigido à “República Islâmica do Irão” provou o respeito por outras culturas. Na sua visita à Turquia, uma estudante perguntou-lhe sobre a oposição de Sarkozy à entrada do país na União Europeia. Obama respondeu-lhe elegante e inteligentemente : “É verdade que os EUA não fazem parte da Europa e não nos cabe tomar uma decisão sobre a entrada da Turquia. Mas isso não me impede de ter opinião. Reparei que durante os últimos anos os europeus também não têm sido tímidos ao dar opiniões sobre o que os EUA deveriam ou não fazer. Não vejo mal nenhum em poder fazer o mesmo.” Mais recentemente, Obama deu um primeiro passo, ainda timido, para que um dia venha a pôr fim a um dos bloqueios mais estúpidos da história. É ainda pouco, mas não deixa de ser a primeira vez que um presidente americano dá um sinal inteligente em relação a Cuba. Para os que diziam que com Obama tudo ficaria na mesma começam a ser muitas notícias que nos levam a pensar o contrário. Será desta ? on vera !!!

Deixo-vos este video com um bom exemplo de educação e respeito pelo próximo.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Ainda sobre os sonhos ...


Sonhar não é tão simples como parece. Pelo contrário, pode ser uma actividade perigosa. Quando sonhamos, colocamos em marcha energias poderosas, e já não podemos esconder de nós mesmos o verdadeiro sentido da nossa vida. Quando sonhamos, também fazemos uma escolha do preço a pagar.

Seguir um sonho tem um preço. Pode-nos exigir que abandonemos os nossos hábitos, pode-nos obrigar a passar dificuldades, pode-nos levar a decepções, etc.

Mas, por mais alto que seja este preço, nunca é tão alto como o que é pago por quem não viveu a sua Lenda Pessoal. Porque estes um dia vão olhar para trás, ver tudo o que fizeram, e irão escutar o próprio coração dizer: ” desperdicei a minha vida”.

Acreditem, esta é uma das piores frases que alguém pode ouvir.

Paulo Coelho em Blogs e Colunas

segunda-feira, 13 de abril de 2009


"Entrava no local dos sonhos por um caminho muitas vezes percorrido, e regressava com grandes precauções, para que as ténues visões não se despedaçassem contra a luz áspera da consciência." Isabel Allende

Com o passar da vida fui aniquilando os pesadelos, mas nunca adormeci os sonhos. Sonhos de menina, sonhos de mulher. Alguns realizados, outros ainda realizáveis, alguns que possivelmente nunca realizarei. Desistindo de alguns, substituindo-os por outros, circundando a vida. Regozijo-me por ainda existirem em mim sonhos por realizar. Existe um sonho de um futuro possivelmente mais próximo que o futuro sonhado, que se tornou O SONHO para mim. Não sei se o realizarei, mas por ser o meu mais importante sonho, a ele me agarro, e por ele, e em direcção a ele, movo a minha vida.

Sinto frio. Olho para dentro de mim. Tento vislumbrar o Sol. Sinto apenas aquele raio de Sol, o que sempre me acompanha, o que por mais cinzento que se apresente o horizonte, teimosamente trespassa as nuvens e brilha para mim. Outros pedaços de Sol esporadicamente me vão sorrindo aqui e ali, me vão tentando aquecer, mas por vezes quase não os sinto. As nuvens que teimosamente me acompanham, tornaram-se tão negras que quase os ocultaram. Desfizeram-se em água as nuvens, e eu sem conseguir encontrar um refúgio, sinto o frio que elas deixaram em mim. É tão difícil suportar este frio, este céu cinzento. É-me urgente encontrar um lugar onde o Sol brilhe, onde os seus raios me acariciem e me aqueçam. Sinto frio e estou cansada do frio. As nuvens desfazendo-se em chuva teimam em pairar sobre mim, molhando e inundando a minha alma. Lá encima o meu pedaço de Sol, aquele que sempre me acompanha, diz-me sorrindo como só ele me sabe sorrir, anda vamos procurar o arco-íris. Sigo-o tentando não sentir o frio. Sigo-o tentando não olhar para o cinzento do céu. Não sei quanto tempo durará a nossa viagem, sei apenas que ainda voltaremos a encontrar o arco-íris. É esta esperança de voltar a ver o arco-íris que me faz não sucumbir ao frio. É esta esperança de voltar a ver o arco-íris que me dá forças para aniquilar as nuvens que pairam sobre mim.

sábado, 11 de abril de 2009

Façamos (Vamos Amar) - Chico Buarque e Elza Soares


Um bom domingo de Páscoa para todos !!!
Bora lá ... façamos ... vamos amar !!!

sexta-feira, 10 de abril de 2009



May God bless and keep you always,
May your wishes all come true,
May you always do for others
And let others do for you.
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

May you grow up to be righteous,
May you grow up to be true,
May you always know the truth
And see the lights surrounding you.
May you always be courageous,
Stand upright and be strong,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

May your hands always be busy,
May your feet always be swift,
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift.
May your heart always be joyful,
May your song always be sung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

quinta-feira, 9 de abril de 2009



Não sei quando, onde nem porquê. Senti-o agora, neste momento, neste milésimo de segundo. Ouvi-o e não fui capaz de o sentir. Tento agora lembrar-me da última vez que o senti. Mas o tempo passa vertiginosamente, tal e qual a vida. Temos uma memória selectiva. Memorizamos acontecimentos que nos marcam. Tento não relembrar os que me provocam dor. Surgem e desaparecem, é assim que me defendo. A dificuldade está em marcar na memória a última vez, o derradeiro momento, se não o tivermos sentido assim.

Não me assusta ter deixado de o sentir agora, neste momento, neste milésimo de segundo, assusta-me apenas que o possa ter abolido para sempre. Será que não me fará falta ? como posso saber se nunca vivi sem ele ?Assusta-me quase não saber a razão. Ou talvez saber a razão. Assusta-me não saber se o voltarei a sentir.

Agora, neste momento, neste milésimo de segundo, o vento assobia na janela do meu quarto, e eu descobri que deixei de ter medo do vento.

Agora, neste momento, neste milésimo de segundo eu descobri que há quem nunca tenha tido medo do vento e para esses, para aqueles que amam o vento eu deixo-o assobiar na minha janela sem sentir medo dele.

P.S. Por ti , para que te possa trazer boas notícias...

"Eu sou feliz. Serei plenamente feliz, talvez, se chegar com sabedoria aos 60 anos. De qualquer forma, ainda tenho muita vida pela frente"

Ayrton Senna

Nenhum de nós sabe se tem muita vida pela frente. Portanto ... façam o favor de ser plenamente felizes, que eu vou fazer precisamente o mesmo !!!

quarta-feira, 8 de abril de 2009


Olha, apetece-me ...

Pode ser impressão minha, mas sinto que “apetecer” é, nos nossos dias, um sentimento desvalorizado. Há outros de muito mais importância como “concretizar”, “realizar”,“investir”. “Apetecer” é um verbo demasiado leviano nestes tempos em que tudo tem de ser devidamente justificado, em que cada decisão deve ser fundamentada por uma data de estudos e previsões. Apetece-me uma coisa qualquer e vem logo um especialista com as suas opiniões sustentadas. Ou um estudo dizer que essa coisa não é boa. Que há outra melhor. Que, veja lá bem, pense duas, três, quatro vezes. O que acontece é que os estudos são mais que as mães e, tal como as mães ( e contra mim falo), às vezes podem ser além de contraditórios e erróneos também muito chatos ...

É perfeitamente legítimo gostar de alguém porque apetece gostar de alguém. Sim, há quem utilize a palavra para justificar a violência, mas também está associada à criatividade. Quero acreditar que Beethoven compôs todas as suas sinfonias porque lhe apeteceu, e que Fernando Pessoa escreveu todos os seus poemas, porque lhe deu na real gana. Que Deus, se existir (se calhar não lhe apetece existir, está no seu direito), criou o mundo e o homem porque lhe apeteceu. Porque lhe deu na telha. E nada nem ninguém, nenhum estudo e nenhum especialista, têm alguma coisa a ver com isso.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A importância de pensar positivo ...

Uma mulher foi encontrada viva, 18 horas após o sismo de ontem em Itália. Depois de os seus salvadores retirarem todos os escombros que a imobilizavam foram estas as palavras que disse entre lágrimas "Io penso positivo perche' son vivo".



É preciso acreditar,
É preciso acreditar
que a canção de quem trabalha
é um bem para se guardar
E não há nada que valha
a vontade de cantar
a qualquer hora cantar
É preciso acreditar,
É preciso acreditar
que uma vela ao longe solta
é um bem para se guardar
que se um barco parte ou volta
passará no alto mar
E é livre o alto mar
É preciso acreditar,
É preciso acreditar
Que esta chuva que nos molha
é um bem para se guardar
que há sempre terra que colha
um ribeiro a despertar
para um pão por despertar.

Luís Goes

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Ao ler este post fiquei a pensar em todas as pessoas de quem gosto. Com interesses tão diversificados, com maneiras de viver a vida tão diferentes. No entanto todas humanamente interessantes, todas com tanto para me ensinar ...

Estranho quem vive barricado na sua selva. E se recusa a visitar, nem que seja por um segundinho, a selva alheia. Fico varado - eu que gosto de mixar universos e personagens e de circular em territórios contrastantes - com os cidadãos que só se sentem bem ou na tascarola ou no grémio literário. Aqueles que se recusam a passear diletantemente pelas diversas esquinas da vidinha, das mais limpas às mais abodegadas, e que preferem ficar estacionados, como se costuma dizer, em lugar seguro. Sempre o mesmo, sempre o mesmo, seja este elitista ou achungalhado.

Os que não passam a fronteira das freguesias do seu preconceitozinho para visitar outros lugarejos, ambientes e perfumes. Os que se recusam a falar com os Fanãs porque só se dirigem a pessoas de dois apelidos. Ou o contrário: gente que se recusa a falar com quem usa pulloveres em bico e tem uma maneira afectada de falar porque isso era ceder ao mundo "deles", do "guito" e da "tradição".

Peço desculpa, como o outro, por estar a sublinhar o óbvio : isto, seja o que isto for, vale a pena, parece-me (a mim e à dona Lurdes), pelas possibilidades. Por, num dia, podermos estar a beber um bela de uma imperialeca num tasco irrespirável e noutro estarmos a arriscar uma bem recomendada vinhaça numa esplanada com vista sobre a cidade. Por podermos ir à cinemateca e ao mercado do DVD de Campolide. Por podermos ter um amigo rasta, que nos convoca para épicas festarolas junto ao Martim Moniz, e outro que nos leva a passear pelos jardins aristocráticos da sua casa de familia, cheios de histórias e memórias.

Sim, percebo muito mal as pessoas que ou só gostam da pastelaria ou só gostam da casa de chá. Os que só frequentam a pastelaria e são incapazes de passar por uma casa de chá. Os que se recusam a descer da casa de chá "Tia Constança" para pedir uma bica ao balcão do café do Zé Nando. Sim, bem vistas as coisas, percebo mal o mundo quase todo.

Publicado por Nuno Santos em Sinusite Crónica

domingo, 5 de abril de 2009

Ainda sobre amor ...

Ligou-me hoje. Não falamos amiude agora, mas quando falamos, falamos mesmo. Dá-me um prazer imenso ouvi-la, aprendo com ela em cada palavra, em cada frase. Sempre foi assim. Esquecemo-nos das horas quando falamos, falamos de tudo, e sobre tudo. Desliguei e fiquei a pensar no que me disse. Falou-me da sua determinação em manter na lembrança os gestos e os rituais que faziam parte da sua vida antes do meu tio morrer. Falámos de inúmeras coisas, de paixão, de amor, de companheirismo, de não se arrepender de nada do que fez na vida, na importância que podem ter as escolhas menos correctas se com elas tivermos a capacidade de aprender. Acabámos a falar dos netos. Falou-me de tudo com palavras que soam a poemas, como sempre faz. O neto mais pequenito tem pouco mais de 2 anos, contou-me as suas façanhas e acabou com esta frase "nós a brincar até lhe chamamos o solidário da família".

Lembrei-me da sofreguidão com que absorvia as suas palavras quando era criança. Lembrei-me como ela foi e é importante para mim. É natural que eu já fosse solidária, mas ela ensinou-me a ser mais ainda. Ela ensinou-me a olhar o mundo com os seus olhos de poetisa, a amar os outros com a força com que hoje sou capaz de amar. Foi com ela que aprendi que haviam pessoas que lutavam por ideais, e pessoas que eram presas pela determinação que punham nessa luta. Doí-me o afastamento físico que a vida nos impôs. Sei que ela sabe como gosto dela, mas tinha necessidade de lhe prestar esta homenagem. Obrigada tia Isolina, a tua ajuda foi determinante na minha escolha em ser o que sou. E como estas palavras devem ser ditas sempre que nos apetecer, faço questão de as deixar hoje aqui : gosto muito de ti !!!


Estas são as três pessoas mais importantes da minha vida. As que me dão forças quando as forças me faltam, aquelas que me fazem sentir que vale a pena viver quando não encontro sentido na vida. Os que amo mais que a mim própria. Aqueles de quem sinto a falta quando não estou com eles. Os unicos que me apoiam em tudo o que faço, aqueles que preciso para ser feliz. Beijos aos três.

sábado, 4 de abril de 2009

Hoje apetece-me ouvir palavras sábias, e quem melhor que os alentejanos nos pode dar conselhos sobre como evitar o stress ?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O prometido é devido !!!


É óbvio que é necessária a criação de um Clube de Fans do Rogério Charraz devidamente regulamentado.

É óbvio devido ás suas qualidades como cantor, músico, compositor e letrista. É óbvio devido ás suas qualidades humanas. É óbvio porque a sua carreira artística já assim o exige. Em suma é óbvio porque o rapaz merece.

Assim, proponho os seguintes estatutos para o Clube de Fans acima referido:

A prossecução do objecto estatutário do Clube será conseguida através de:

a) Divulgar aos membros do Clube e a toda a população, os trabalhos onde participa o Rogério Charraz.

b) Facilitar aos membros do Clube, e a outros possíveis interessados, a recolha de informação e materiais de divulgação.

c) Participar activamente na preparação de espectáculos e na recepção do publico.

Artigo 2º

Para ser membro do Clube é necessário preencher e assinar uma proposta de adesão, que será sujeita à aprovação pela Direcção do Clube. Esta proposta conterá os dados pessoais e só será aprovada caso esteja totalmente preenchida, legível e seja acompanhada de um meio de pagamento correspondente à jóia de inscrição e à quotização relativa ao ano da inscrição, cujos valores constarão na proposta.

Artigo 3º

São direitos e deveres dos membros do Clube:

a) Participar na gestão do Clube, através da participação nos orgãos sociais.

b) Livre acesso às actividades desenvolvidas pelo Clube.

c) Receber uma cópia dos Estatutos e da regulamentação interna em vigor.

d) Receber, no prazo máximo de 3 meses após a recepção da proposta de adesão pelo Clube, um cartão identificativo do seu estatuto de membro do Clube.

e) Pagar, quando solicitado, o valor da quotização.

f) Informar o Clube da sua vontade em deixar de ser membro, bem como ser informado pelo Clube, através de carta registada com aviso de recepção da sua exclusão de membro, explicando as razões de tal procedimento.

Artigo 4º

Existem 4 categorias de membros no Clube:

a) MEMBRO FUNDADOR – Aquele que participou activamente no inicio do Clube e que manifestou vontade de ser membro fundador na primeira assembleia geral.

b) MEMBRO JOVEM – Indivíduo que solicitou a sua adesão ao clube e que devido a ser menor de 20 anos pode usufruir de condições especiais de quotização e de descontos.

c) MEMBRO ADULTO – Indivíduo ou colectividade que solicitam a sua adesão ao Clube.

d) MEMBRO HONORÁRIO – Indivíduo ou colectividade cuja adesão ao Clube é proposta em Assembleia Geral e com a aceitação posterior, por escrito, do indivíduo ou colectividade em causa. Ficam isentos de jóia de inscrição e do pagamento de quotas.

Artigo 5º

As quotas e a jóia de inscrição são fixadas em Assembleia Geral, por proposta baseada em orçamento para o ano a que correspondem. O valor das quotas e da jóia de inscrição só pode ser alterado no ano anterior em que vigorará essa nova quotização. As quotas destinam-se a custear os gastos gerais do Clube, nomeadamente as despesas de comunicação com os membros e com entidades externas, a aquisição de materiais e equipamentos variados e o pagamento de serviços relacionados com a divulgação e legalização do Clube. A quota é anual, sendo paga em prestação única . O pagamento da quota pode ser feito através de várias formas: directamente, via correspondência, à cobrança ou através de transferência bancária. O seu não pagamento após solicitação expressa da Direcção do Clube implica a exclusão.

Artigo 6º

A tomada de posse dos orgãos sociais eleitos é realizada logo após final da Assembleia geral, sendo devidamente registada no livro de actas da Assembleia Geral do Clube.

Artigo 7º

A Direcção do Clube deve reunir com a periodicidade mínima de 3 meses, de modo a garantir uma gestão eficaz, ficando ao critério dos membros eleitos fixar uma calendarizarão das reuniões, que tem se ser do conhecimento de todos os membros. As reuniões da Direcção do Clube são abertas à participação de todos os membros mas apenas os 3 membros eleitos têm poder deliberativo. De todas as reuniões da Direcção serão registadas as actas no correspondente livro, autenticadas com a assinatura dos elementos da Direcção do Clube presentes.

Artigo 8º

A abertura de delegações do Clube de Fãs está dependente da aprovação em Assembleia geral, não se prevendo qualquer tipo de restrição geográfica para a criação de uma delegação. Para se considerar uma delegação, deverá ser apresentada à Assembleia Geral uma proposta onde devem constar:

- Identificação dos membros do Clube que se propõem abrir uma delegação (no mínimo 5 indivíduos e/ou colectividade).

- Denominação da delegação (denominação da localidade onde ficará sediada a delegação).

- Descrição das actividades que vão desenvolver.

Uma delegação pode ser encerrada pela Direcção do Clube, caso não esteja a cumprir com o estabelecido na Assembleia geral e caso o seu funcionamento esteja a prejudicar o funcionamento do Clube. As delegações não têm independência financeira mas podem organizar-se da maneira que os seus membros entendam por melhor. Para pertencer a uma delegação os membros do Clube tem que o comunicar por escrito, numa declaração escrita.

Esta é a minha proposta, espero propostas de todos os que como eu pretendem, acima de tudo, a merecida divulgação do verdadeiro Artista.

Ninguém escolhe ser cúmplice, a cumplicidade conquista-se.
Ser cúmplice é não ter medo de nos entregar, é podermos tirar as máscaras, sermos nós mesmos. E quando podemos ser nós mesmos, somos livres.

Gosto de cumplicidades.
Duas vozes, uma portuguesa, uma brasileira.
Novamente a magia de um dueto.



A Ilha Do Meu Fado
Composição: João Mendonça / Zeca Medeiros

Esta ilha que há em mim
E que em ilha me transforma
Perdida num mar sem fim
Perdida dentro de mim
Tem da minha ilha a forma

Esta lava incandescente
Derramada no meu peito
Faz de mim um ser diferente
Tenho do mar a semente
Da saudade tenho o jeito

Trago no corpo a mordaça
Das brumas e nevoeiros
Há uma nuvem que ameaça
Desfazer-se em aguaceiros
Nestes meus olhos de garça

Neste beco sem saída
Onde o meu coração mora
Ouço sons da despedida
Vejo sinais de partida
Mas teimo em não ir embora

BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS !!!

quinta-feira, 2 de abril de 2009


Até compreendo. Não concordo, mas compreendo. Foram educados assim. Cresceram assim. Ouviram desde pequenos as mesmas frases. Aprenderam porque possivelmente muitos lhes disseram. Interiorizaram bem dentro de si: a coisa mais importante que existe na nossa vida é o dinheiro.

É este o seu lema de vida e por ele lutam. Nada mais lhes interessa. Amor, respeito, consideração, gratidão, são palavras que não existem no seu vocabulário, são sentimentos que não têm capacidade de sentir. Nunca são inteiramente felizes. Ambicionam sempre mais.

Podia dar-vos muitos exemplos, é só olharmos para o lado, para trás, para a frente, dou-vos o daquele casal de ex namorados a quem saiu o Euro Milhões. Um quer dividir o dinheiro, a outra quer recebê-lo todo. Não se contenta com metade, compreende-se, foi assim que foi educada, foi isto que lhe ensinaram. Ficará feliz se conseguir vencer esta luta, porque dinheiro para ela não se divide, mesmo que seja muito, mesmo que tenha sido ganho sem grande esforço, mesmo que para o ganhar apenas tenha sido preciso um pouco de sorte.

Ontem à noite, ao ver as noticias, o meu coração sorriu. Tanta gente a manifestar-se, a lutar com convicção, a acreditar na mudança de atitude. Tantos a lutarem por uma sociedade diferente, sem capitalismo, sem guerra, tantos a preocuparem-se com a solução dos problemas ambientais que afectam este nosso planeta. Ontem os ideais do Woodstock, estiveram lá, em Londres, na cimeira dos G20. Muitos dos que lá estavam tinham menos de 40 anos, vimos as suas caras na TV. Há uma esperança. Para mim ainda há uma esperança de que este nosso mundo possa vir a ser um mundo melhor.

Há quem não pense como eu:

Vejam como são comoventes os bons sentimentos expressos
nesta twittada. Um cidadão europeu ser morto numa manifestação é mau porque faz (putativamente) jeito aos anarquistas. É bonito; e é bonito que esta seja a cabeça à frente de um dos dois diários de referência nacionais. Revelador.

Além de tudo, é sempre bom ver até que ponto os nossos líderes de opinião têm a cabeça enfiada na areia, quanto ao estado de espírito da população europeia. Continuem a convencer-se de que a maioria das pessoas está satisfeita com o rumo das coisas. Ou somos todos anarquistas?

Em Womenage a Trois (ver link aqui ao lado)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Hoje apanhei dois nomes do chão. Chamavam-se Roberto e Afonso e estavam espalhados pelo chão da sala.

Hoje, dizia, apanhei o Roberto e o Afonso do chão e guardei-os um pouco junto a mim. Antes de tudo o mais, de os levar para a varanda e lá os deixar naquele vaso, pego neles e abraço-os junto ao peito. Sento-me no sofá, olho os quadros, olho os livros e enterneço por eles. São dois nomes na minha vida toda: o Afonso com os seus óculos, a sua bonomia, o seu ar atento, sempre atento, a todas as coisas que por ele passam; e o Roberto com a sua madeixa de cabelo loiro tocando a testa, o seu corpo frágil, as suas mãos compridas e o ar distraído com que presenteava sempre os meus olhares. Ambos foram a minha vida. Ambos passaram por mim já junto a este peito onde, agora ternurenta, os abraço. Ambos, como muitos outros que já levei para a terra escura daquele vaso, ambos foram carne com a minha carne, sussurro com os meus sussurros, brincadeira com as nossas brincadeiras. Ambos foram já tanto parte de mim que me é difícil abraçá-los sem os sentir demasiado dentro. Mas é uma necessidade, uma despedida. Depois de os lançar ao chão da sala, levanto-lhes o corpo que cada nome tem e, num último adeus, dou-lhes o encontro com o meu peito. Porque é sempre preciso sentir o cheiro que estes nomes nos dão na memória antes de os deixar para sempre na terra tão escura e fria que aquele vaso, na varanda, à noite, ampara.

E estou em casa, com o casaco de malha ainda vestido porque o frio entra com a noite quando abrimos a porta que nos leva à varanda. Depois de ouvir mais um nome na varanda (ouço-os sempre na voz que é a deles, chamando-me; mas resisto e entro para a sala) deixo as portas já trancadas e entro em casa. Os meus pais devem estar a chegar e esta solidão será daqui a pouco acompanhada. A casa vazia encher-se-á deles e estes papéis espalhados no chão da sala não serão problema. Nunca são. Porque sou ainda pequena e eles, com os seus nomes de pais, acabam desculpando-me tudo. Porque sabem que mesmo uma criança como eu já precisa de ter um vaso dos nomes onde deixar as pessoas que vão passando pela nossa vida.

Jorge Reis Sá em "O vaso dos nomes"